A Fundação Síndrome de Down da Região de Murcia (FUNDOWN) explica neste artigo as ações e programas de estimulação e reabilitação cognitiva que desenvolvem para ajudar as pessoas com síndrome de Down.
FUNDOWN constitui-se como uma Fundação sem fins lucrativos destinada à integração social e laboral de jovens e adultos com síndrome de Down e outras deficiências intelectuais desde 9 de mayo de 1994. É uma entidade sem fins lucrativos e declarada como Fundação Benéfico-Particular de caráter assistencial (Orden de 14 de mayo de 1995 – BOE 18/05/95).
Conforme se estabelece no artigo 4 dos seus Estatutos, os fins da FUNDOWN são “a promoção e realização de todas as atividades que contribuam para a melhoria das condições de vida e procurem a plena integração familiar, social e laboral e o desenvolvimento de uma vida normal, das pessoas com síndrome de Down, no âmbito da solidariedade relativamente a outras etiologias que comportem algum tipo de incapacidade”.
Objetivos da Fundação Síndrome de Down da Região de Murcia
Um dos objetivos essenciais de atuação da FUNDOWN é a integração global e total da pessoa com deficiência na sociedade. Pretende-se que as pessoas com síndrome de Down ou com qualquer outro tipo de deficiência intelectual tenham acesso ou possibilidade de ter uma socialização adequada e normalizada na comunidade.
A Fundação desenvolveu um amplo e intenso trabalho, procurando dar resposta às necessidades e demandas dos nossos usuários e famílias. Para conseguir tornar realidade essas aspirações, a FUNDOWN imprime a todos e cada um dos serviços, programas e ações que desenvolve valores como autonomia, independência, respeito, autodeterminação, tomada de decisões e controle da própria vida. Tudo isso voltado para que as pessoas com deficiência intelectual possam participar em seu meio como cada uma escolher, com os direitos e deveres que lhe correspondam como cidadão ou cidadã e habilitando as medidas necessárias para igualar suas oportunidades às que teriam se não tivessem essa deficiência. Com essa mentalidade, a Fundação foi crescendo e criando os serviços que apostam num trabalho integral com a pessoa para potencializar seu nível de autonomia e independência em todos os âmbitos de sua vida.
Ações e programas
As ações e programas que se levam a cabo a partir da Fundação Síndrome de Down da Região de Murcia compartilham os princípios e valores que definem a filosofia do que denominamos como Escola de Vida.
Esta filosofia promove que as pessoas com deficiência intelectual possam participar no seu meio conforme cada uma escolha, com os direitos e deveres que lhes correspondam como cidadão ou cidadã e habilitando as medidas necessárias para igualar as suas oportunidades às que teriam se não tivessem essa deficiência. Isto implica um rigoroso respeito pela diversidade que deve ser aprendido tanto pela própria pessoa com deficiência, como pela sua família e o entorno que a rodeia.
Desde esta linha de pensamento, entende-se que os processos de inserção social e laboral dos usuários devem estar orientados para a concretização de uma vida o mais autônoma e independente possível. Assim, valores e princípios tais como, autodeterminação, controle da própria vida, autonomia, capacidade para escolher ou independência estão presentes tanto na forma como FUNDOWN se organiza, como nos distintos programas e projetos que se levam a cabo com os usuários e as suas famílias.
Serviços
A Fundação Síndrome de Down da Região de Murcia presta dois serviços às pessoas com deficiência intelectual:
- O Serviço para a Promoção da Autonomia Pessoal: SEPAP
- O Serviço de Formação Profissional e Emprego: SEFE
Ambos respondem a um modelo adaptado à nova mentalidade social que existe de favorecer a integração social deste coletivo até às suas mais altas cotas, permitindo superar os modelos mais protetores e limitativos que estavam previstos para as pessoas com deficiência como única opção, favorecendo, deste modo, a melhoria da qualidade de vida no coletivo.
Desde a Fundação Síndrome de Down da Região de Murcia entende-se que a melhoria da qualidade de vida do coletivo de pessoas com deficiência intelectual deve procurar o desenvolvimento de uma vida normal que facilite a sua plena integração em todos os âmbitos da vida, num permanente respeito pela diversidade.
Linhas de trabalho
Sob esta linha de pensamento, as linhas de trabalho aprovadas pelo Patronato da Fundação articulam-se em torno de três aspectos-chave.
- Promover uma atitude favorável que permita potenciar e aproveitar plenamente as capacidades das pessoas com deficiência, eliminando os obstáculos e suprindo as suas carências para que consigam a sua incorporação na sociedade em condições de normalidade.
- Estabelecer uma rigorosa, contínua e atualizada avaliação das suas aptidões e habilidades, assim como das suaslimitações e restrições.
- Reivindicar os direitos pessoais estabelecidos na legislação vigente e o reconhecimento daqueles outros que lhes possam permitir, mesmo mediante uma discriminação positiva, alcançar uma vida autónoma e independente, na medida do possível.

Áreas de trabalho da Fundação Síndrome de Down da Região de Murcia
Entre as áreas de trabalho e atuações que fazem parte do funcionamento da FUNDOWN destacam-se quatro áreas transversais:
- Trabalho social.
- Psicologia.
- Pedagogia.
- Fonoaudiologia.
São áreas transversais porque seu âmbito de atuação não se circunscreve, nem a uma etapa vital do usuário, nem a um programa ou ação determinada, sendo que a sua particularidade é acompanhar o usuário e a sua família ao longo de toda a sua permanência na Fundação.
O restante das áreas são específicas:
- Formação integral e continuada.
- Moradias compartilhadas.
- Transição para o mundo laboral e a área de emprego.
Passamos a dar a conhecer, de forma resumida, o que se realiza em cada uma das áreas da Fundação e as exporemos pela ordem em que o usuário se vai encontrando com elas à sua entrada na FUNDOWN.
1. Área de Trabalho Social na Fundação Síndrome de Down da Região de Murcia
É uma área transversal dentro do funcionamento global dos Serviços da Escola de Vida da Fundown –SEPAP E SEFE. O seu caráter de transversalidade advém de ser uma área que atende todos os usuários e as suas famílias, durante todo o seu itinerário vital na FUNDOWN.
As nossas ações e intervenções desenvolvem-se, não só dentro dos centros e serviços com os quais a Fundação conta, mas também nos contextos comunitários em que se encontram inseridos os nossos usuários e as suas famílias (habitação, locais de trabalho, centros de saúde etc.).
Programas
Desenvolve todas as suas ações em torno de 6 programas, um dos quais engloba dois programas de atuação paralelos:
- Informação, Orientação e Aconselhamento: Este programa destina-se a facilitar ao usuário e à sua família toda a informação necessária sobre a Escola de Vida da FUNDOWN e sobre outros serviços comunitários do seu interesse, em função das suas características e necessidades. Por outro lado, orienta-se para facilitar apoio individualizado às famílias e usuários que, de forma pontual ou continuada, necessitam de aconselhamento.
- Avaliação socio-familiar: Centra-se na avaliação social dos usuários e da sua família, culminando na realização do respetivo relatório social. O objetivo é obter uma visão e conhecimento da situação global do usuário e da família, para poder programar uma intervenção adequada, valorizando a possibilidade da sua incorporação nos programas que já se desenvolvem no âmbito da Área.
- Gestão e Acompanhamento: Tem como objetivo prioritário prestar o apoio que, tanto os usuários como as suas famílias, necessitam num dado momento, para realizar qualquer tipo de gestão relacionada com trâmites administrativos, da sua saúde ou dependência.
- Inclusão socio-familiar: O objetivo principal do programa é apoiar a família no seu meio sociofamiliar, dando aos membros recursos na realização das Atividades da Vida Diária, organização e desenvolvimento das tarefas do dia a dia.
- Dependência: Através deste programa presta-se informação, orientação e aconselhamento sobre este trâmite, bem como apoio nessa gestão. Durante o processo desta ajuda realiza-se um acompanhamento exaustivo de todos os processos de cada usuário.
- Apoio às Famílias: Tem como objetivo oferecer apoio às famílias dos nossos usuários desde um contexto grupal, participativo, dinâmico e de intercâmbio de experiências entre famílias com inquietações e interesses semelhantes. Desenvolvendo-se com base em duas linhas de atuação que às vezes compartilham atividades conjuntas.
- Programa de Escola de Pais: Com este programa pretende-se ampliar o conhecimento e a formação dos pais em temas relacionados com os seus filhos e/ou familiares, e outros temas de interesse. Oferece-se a eles um espaço para a aprendizagem e o intercâmbio de experiências. Este espaço revela-se totalmente imprescindível para que as famílias compartilhem os seus temores e medos, inerentes e lógicos, ao crescimento e à autodeterminação dos seus filhos/as.
- Programa de Escola de Irmãos.: Com este programa pretendemos conseguir uma maior implicação e sucesso dos irmãos e irmãs na educação, formação e outros temas de interesse que impliquem a melhoria da qualidade de vida dos seus irmãos com deficiência.


2. Área de Psicologia
A Área Transversal Psicológica situa-se dentro do funcionamento global dos Serviços da Escola de Vida da FUNDOWN -SEPAP E SEFE- com a particularidade de acompanhar o usuário dos serviços e a sua família ao longo de sua permanência na Fundação.
O objetivo fundamental da Área de Psicologia é oferecer aos usuários/as as estratégias pessoais adequadas para conseguir os melhores resultados em autonomia emocional, cognitiva e comportamental. Ou seja, promovemos o grau em que a pessoa seja capaz de se reger por critérios próprios.
Autonomia cognitiva
O aspecto cognitivo integra uma postura individual que resiste à pressão exercida pelas opiniões dos pais e do grupo de amigos, levando o usuário/a a se apoiar em seu critério pessoal (autonomia cognitiva). Da mesma forma, trabalham-se os aspectos da independência que estão relacionados a mudanças nas relações estreitas do indivíduo com seus pais e demais agentes sociais.
Autonomia emocional
A autonomia emocional contribui para a valorização pessoal dos acontecimentos, já que a afetividade abrange a totalidade do ser pessoal. Portanto, é um dos recursos mais poderosos do desenvolvimento sociopessoal e requer o exercício das operações formais que implica a habilidade de lidar com os sentimentos e emoções próprios e de outros, de discriminar entre eles e de utilizar essa informação para guiar os pensamentos e as ações pessoais (Covey, 2000).
Atualmente ela é reconhecida como inteligência emocional e faz parte da habilidade que permite participar de uma situação por meio de sua compreensão afetiva; é uma espécie de motivação intrínseca que permite um melhor conhecimento próprio e uma conexão com os demais (autonomia emocional).
Autonomia comportamental
Também se treina a capacidade de tomar decisões independentes e de se responsabilizar por elas. Isso é a capacidade de autogoverno, o grau em que uma pessoa costuma decidir e agir por si mesma. Implica um processo de tomada de decisões durante o qual a pessoa aprende e começa a se definir pessoalmente em diversos âmbitos significativos e a aceitar gradualmente a responsabilidade sobre suas ações (autonomia comportamental). Apostamos nas capacidades das pessoas e as acompanhamos a descobri-las, dotando-as de confiança e dando-lhes percepção de futuro.
As ações realizadas pela área orientam-se a atender às necessidades de apoio psicológico, cognitivo e emocional que apresentem tanto os usuários como as famílias, com o objetivo de promover ao máximo suas possibilidades de autonomia pessoal. Essas ações desenvolvem-se por meio dos processos de avaliação, orientação, intervenção psicológica e acompanhamento.
Abrangemos as distintas disciplinas da profissão: Psicologia social, psicologia da educação, psicologia do trabalho, psicologia jurídica e, muito especialmente, a psicologia da saúde.
Deficiências associadas
A população com deficiência intelectual pode, ou não, apresentar outras deficiências associadas, físicas, sensoriais e mentais como são os transtornos psiquiátricos ou os transtornos de conduta. Comprovou-se que há uma alta prevalência de diagnósticos duais dentro da deficiência intelectual (20%, 40% e estudos que demonstram a existência de até 60% de problemas psicológicos associados à deficiência intelectual, congênitos ou adquiridos).
O trabalho com a deficiência intelectual deixou de centrar-se, na etapa da infância, em uma intervenção puramente educativa e, na etapa da idade adulta, em uma intervenção assistencialista e puramente farmacológica, para passar a uma abordagem preventiva e integradora. Isso aumenta a expectativa de vida e, portanto, o campo de intervenção. Considera-se a intervenção em saúde do psicólogo uma ação imprescindível dentro do atendimento prestado às pessoas com deficiência intelectual, sobretudo levando em conta as atuais linhas de trabalho de ponta neste campo profissional a partir de uma abordagem biopsicossocial, o que repercutirá, de forma inevitável, na promoção continuada da autonomia pessoal e na prevenção e apoio em seu posterior declínio e dependência.
Trabalhamos a prevenção e o retardo do declínio cognitivo que a passagem dos anos provoca, assim como as demências que venham a ocorrer. Para isso é importante o cuidado da saúde mental ao longo de todas as etapas vitais do usuário.
Atuações na área de psicologia
A área de Psicologia conta com seis profissionais que desenvolvem as seguintes atuações:
2. Processo de intervenção: Atuações decorrentes de tratamentos, intervenções psicológicas ou psicoterapias, destinadas a melhorar e/ou solucionar problemas psicológicos dos usuários da Fundação, sejam eles de índole pessoal, social ou familiar. As terapias podem ser de curta, média ou longa duração e supõem a aplicação de um tratamento psicológico, cientificamente validado e baseado em evidências, para a solução de problemas psicológicos ou psiquiátricos.
3. Processo de acompanhamento: Este processo zela pela manutenção do que foi adquirido por meio das intervenções anteriores, assim como busca a prevenção e a detecção de possíveis alterações psicológicas dos usuários do serviço.
4.Intervenção psicológica em Moradias Compartilhadas: Consiste na avaliação do usuário, da família e dos mediadores, na assessoria e orientação psicológica à equipe técnica, aos mediadores e às famílias, intervenção psicológica para os integrantes, formação, psicoeducação e divulgação.
5. Avaliação psicológica para a valoração da Dependência: Valoração do grau de dependência para pessoas com deficiência intelectual segundo o BVD (Baremo para la Valoración de Dependencia) e segundo critérios do IMAS, com base no Questionário específico criado pela Área para tal fim.
6. Avaliação da autonomia pessoal: Valoração do nível de autonomia pessoal de cada usuário/a por meio da aplicação de provas psicológicas destinadas a avaliar a conduta adaptativa e a funcionalidade das pessoas avaliadas.
7. Pesquisa e criação de novos programas: Colaboração da Área de Psicologia no processo de pesquisa e criação de programas propostos pelos Serviços da Escola de Vida da Fundown, com o fim de melhorar e/ou atender às demandas e necessidades de nossos usuários do serviço em todas e cada uma das etapas de sua vida.
Programa de Estimulação e Reabilitação Cognitiva dos usuários
É nesta área e dentro do processo de intervenção psicológica grupal e individual que se introduz o Programa de Estimulação e Reabilitação Cognitiva dos usuários.
Este programa faz sentido do ponto de vista da melhoria das competências cognitivas de nossos usuários e da reabilitação ou manutenção de capacidades danificadas ou deterioradas. Levando em conta as características cognitivas e de personalidade da população para a qual trabalhamos, torna-se imprescindível melhorar a funcionalidade e as competências cognitivas por diversas circunstâncias que vão desde a própria deficiência intelectual, danos derivados de problemas orgânicos como as crises epilépticas, os surtos psicóticos, a doença mental grave associada à própria deficiência, o consumo de substâncias, o tratamento com psicofármacos, e outras deficiências adquiridas como acidentes ou traumatismos, acidentes vasculares cerebrais, etc.
A deficiência intelectual costuma vir acompanhada de outras deficiências (físicas, sensoriais, psiquiátricas, etc…) que afetam o rendimento e a eficácia cognitiva das pessoas que a apresentam.
Desde o princípio, a Área de psicologia, após a avaliação psicológica e neuropsicológica dos usuários, entendeu que era totalmente imprescindível a criação de um Programa de Estimulação e Reabilitação cognitiva que atendesse a nossos usuários as necessidades individuais que se detectavam como necessárias para promover sua saúde neuropsicológica e, como consequência, chegar a nosso objetivo último: a promoção da autonomia pessoal de nosso coletivo.
Melhoramos a intervenção com NeuronUP
Na Fundação Síndrome de Down da Região de Murcia levávamos anos implementando nosso próprio programa quando descobrimos o programa NeuronUP.



A plataforma NeuronUP facilitou de forma importante o trabalho dos psicólogos e psicólogas da Fundação permitindo-nos melhorar a qualidade de nossas intervenções a nível cognitivo e ajudando-nos a conseguir os seguintes objetivos:
- Motivar os usuários com novos exercícios, assim como poder realizá‑los em modalidade digital (utilizando tablet, computador e quadros digitais). O formato que oferece a plataforma NeuronUP é bastante motivador para nossos usuários.
- Planificar com maior brevidade e de forma individualizada.
- Aceder a uma ampla variedade de exercícios categorizados por área cognitiva.
- Facilitar a correção dos exercícios quando realizada online.
- Criar de forma simples novos exercícios com os geradores.
- Selecionar exercícios conforme o nível de dificuldade e A capacidade cognitiva de nossos usuários. Assim como adaptá‑los a problemas de leitura e escrita, auditivos, visuais, etc…
- Poder realizar um acompanhamento da execução do usuário online, permitindo‑nos ver suas dificuldades ou melhorias para planificar novas sessões. Isso facilita também a avaliação e evolução dos usuários.
- Melhor planificação ao permitir organizar diferentes sessões, e/ou programas.
- Utilizar e combinar diferentes modalidades de trabalho: individual, em dupla, e em grupo.
Portanto, a utilização de NeuronUP nos ajuda e/ou facilita a consecução com nossos usuários de seus objetivos principais de autonomia e independência.
3. Área de Pedagogia
Esta área situa‑se dentro da estrutura de funcionamento da Escola de Vida de FUNDOWN como uma área transversal, sendo seu propósito fundamental supervisionar os processos de ensino/aprendizagem que acontecem em nossos serviços (SEPAP e SEFE), suas áreas e os programas e ações que os integram. Para isso, conta com três pedagogas especializadas em orientação, planificação, avaliação, diagnóstico e intervenção educativa.
Os processos de supervisão e assessoria que acontecem a partir de nossa área alcançam tanto os usuários/as e suas famílias, como os profissionais de nossa entidade e aqueles de nossa comunidade que incidem de alguma forma no processo vital de nossos usuários.
Uma de nossas linhas de intervenção prioritárias consiste na identificação dos níveis de competência curriculardos nossos usuários/as com a finalidade de determinar um itinerário formativo individualizado e ajustado às suas necessidades reais em um dado momento, assim como articular as ações, necessárias e imprescindíveis, para conseguir que os processos de formação se desenvolvam com eficácia e promovam o maior grau de autonomia possível.
Linhas de atuação
As linhas de atuação que levamos a cabo orientam‑se para:
- Análise, avaliação e Diagnóstico Pedagógico
- Desenho, acompanhamento e avaliação de programas educativos
- Planificação e desenho de planos de formação individuais e grupais
- Avaliação de processos ensino/aprendizagem
- Desenho e aplicação de metodologias educativas inovadoras
- Desenho de materiais didáticos multimídia
- Direção e gestão de grupos de trabalho
- Criação de rede de redes
- Formação e divulgação de ações
- Assessoria pedagógica a profissionais, usuários e famílias
- Investigação
Desde a área transversal Pedagógica aposta‑se em iniciativas educativas que promovam os níveis mais altos de autonomia em nossos usuários e usuárias e que favoreçam sua inserção social e laboral. A seguir, detalham‑se as ações formativas que atualmente integram a área:
Curso de Graduado em Educação Secundária
Este curso permite ao usuário alcançar um maior nível de conhecimentos educativos, obter o certificado da ESO e, com isso, melhorar suas possibilidades laborais.
Apoio para a carteira de motorista. Permissão das classes A1 e B
Atualmente, dispor da carteira de motorista é uma ferramenta de trabalho muito valiosa para que nossos usuários e usuárias possam acessar o mercado de trabalho, devido ao fato de que a maioria dos postos de trabalho se localizam em zonas industriais e, geralmente, as linhas de transporte têm difícil acesso
Apoio a uma formação externa
Neste curso o aluno/a encontrará: apoio e acompanhamento individualizado; tutorias nas quais o aluno colocará suas dúvidas; orientação sobre o tipo de exercício a superar; organização do tempo no exame; estrutura de conteúdos; fomento da intuição, agilidade, capacidade de raciocínio e capacidade de superação e tudo aquilo que o aluno necessite para conseguir seu objetivo.
4. Área de Fonoaudiologia na Fundação Síndrome de Down da Região de Murcia
A área de Fonoaudiologia configura-se como mais uma área dentro do serviço de promoção da autonomia pessoal da FUNDOWN cujos objetivos prioritários são a prevenção, o diagnóstico, o prognóstico, o tratamento e a evolução integral dos transtornos da comunicação humana, sejam estes da fala ou da linguagem, incluindo a compreensão e expressão escrita da linguagem assim como da comunicação não verbal.
As pessoas com deficiência intelectual têm necessidades comunicativas que, por vezes, podem ver‑se alteradas, não conseguindo transmitir o que precisam, querem ou desejam, influenciando seu bem‑estar e as relações com os demais.
O fim desta área é reabilitar os possíveis transtornos da fala, linguagem ou comunicação e permitir que as pessoas com dificuldades de comunicação verbal e/ou auditiva possam relacionar‑se e interagir com os outros, estabelecendo ou ampliando os canais de comunicação, através de sistemas alternativos ou aumentativos.
Principais linhas de atuação
- Alteração da prosódia
- Atraso da linguagem e da fala
- Disfasia
- Disfemia ( tônica, clônica, Mista)
- Ecolalia
- Dislexia
- Dislalias funcionais
- Maloclusão e selamento labial
- Padrão respiratório inadequado
- Problemas de sopro
- Problemas de deglutição
- Disgrafia, disortografia
- Problemas de motricidade fina
- Problemas de atenção visual e auditiva
- Expressão e compreensão
5. Área de Formação Integral e Continuada
Esta área organiza‑se em torno de uma série de programas orientados a dar suporte a nossos usuários/as, de forma integral e continuada, nos distintos âmbitos que conformam seu desenvolvimento ao longo de sua trajetória vital.
De criação recente, a área conta com cinco profissionais e constitui-se em uma de nossas áreas em que se apresenta um maior nível de inovação. Isso se dá por duas razões:
- A primeira tem a ver com o modo como estão desenhados os programas. Sua flexibilidade e a integração do conhecimento permitem atender à singularidade de cada um de nossos usuários e dar uma resposta real e ajustada a suas necessidades ao longo de sua vida.
- A segunda relaciona-se com a metodologia de trabalho empregada, a Aprendizagem Cooperativa. O fato de termos optado por esta metodologia deu lugar à reformulação de todos os programas que se reúnem nesta área, com o objetivo de poder colocá-los em prática com as maiores garantias de êxito.
Os programas ministrados nesta área organizam-se em torno de dois grandes âmbitos de atuação, em função do tipo de população a que se destinam.
Programas Básicos
Assim, os Programas Básicos são aqueles dirigidos a todos os nossos usuários/as e são:
- Habilidades Sociais
- Tecnologias da Informação e da Comunicação
- Formação Básica
- Lazer
- Afetividade e Sexualidade
- Autonomia Urbana
- Manejo do dinheiro
- Autonomia no Lar
Modalidades
Contemplam-se duas modalidades na hora de colocar em marcha estes programas.
- A primeira modalidade implica o desenho de um itinerário individual. Neste caso, cada usuário/a, com base na avaliação psicopedagógica e em sua situação particular, seria incorporado à parte do programa que mais se ajusta a suas necessidades.
- A segunda modalidade, que denominamos programas integrados, incorporaria em cada ação educativa aquela parcela das distintas disciplinas educativas que mais se ajusta às necessidades de um grupo determinado de usuários/as. Desse modo, cada ação educativa estaria configurada pelo conjunto de competências e habilidades correspondentes a determinados programas, com base nas necessidades e demandas de nossos usuários/as.
Programas Específicos
Por sua vez, os denominados Programas Específicos orientam-se àqueles usuários que se encontram na fase inicial de declínio cognitivo, ou então em uma fase mais avançada.
Três são os programas que atualmente estão dando resposta a esta demanda:
- Manutenção de Competências Laborais
- Estimulação de Habilidades
- Habilidades da vida diária/Envelhecimento Ativo
6. Área de Transição para o Mundo Laboral
A Área de transição para o mundo laboral conta atualmente com onze profissionais. Tem como objetivo prioritário proporcionar a nossos usuários os espaços de ensino/aprendizagem necessários para sua capacitação e especialização. Tudo isso em um perfil profissional concreto, com vistas a sua futura inclusão social e, principalmente, laboral.
Estrutura-se em torno de 3 programas principais que se desenvolvem no SEPAP e no SEFE. Desse modo, a área de transição para o mundo laboral é uma área interserviços. Permite que os usuários transitem de um para o outro, conforme suas necessidades formativas. A finalidade é que cada usuário receba a formação mais adequada e personalizada a seu estado evolutivo, dentro de seu itinerário formativo.
A partir desta área, portanto, propomo-nos a servir de guia a nossos usuários em sua trajetória, na hora de descobrir seu perfil profissional, que deve estar de acordo com suas motivações, necessidades, expectativas e capacidades.

Sob estes princípios norteadores, a Área de Transição para o Mundo Laboral articula toda a sua intervenção em torno do Itinerário Formativo dos usuários, que se distribuem pelos três programas que o constituem, conforme seu momento de formação individual. Os programas a que nos referimos são:
- Programa de Orientação Vocacional
- Programas de Formação Profissional
- Programas de Qualificação Pré-laboral
Além disso, a área realiza outras ações complementares para conseguir a preparação ideal de nossos usuários, tais como:
- Orientação Vocacional e Profissional
- Promoção da capacidade e do poder de decisão do usuário
- Apoio e assessoria a famílias e usuários
- Tutorias
- Avaliação e acompanhamento do Itinerário Formativo
- Busca de ações externas e apoio a profissionais e usuários nessas ações
Metodologia
A metodologia geral das intervenções da área é marcada por duas premissas fundamentais que lhe conferem singularidade.
Por um lado, a realização das ações formativas em contextos laborais reais e, por outro, o reconhecimento e respeito pela individualidade de cada usuário, de seus desejos e motivações.
Em suma, o processo de formação que propomos a partir da Área de Transição para o Mundo Laboral permite adaptar-se às necessidades de nossos usuários e dar continuidade a nossas ações. Preservamos, em todo momento, sua intencionalidade educativa e formativa. Assim, o itinerário que propomos nos permite responder às necessidades que nossos usuários apresentam nesta etapa de sua vida. Orientamos seus passos rumo a uma inclusão laboral que lhes seja benéfica e contribua para consolidar sua autonomia e independência.
Ao final de todo o processo formativo, quando o aluno conhece um ofício, obtém boas avaliações em qualidade e rendimento e aplica as habilidades laborais exigidas para acessar um possível posto de trabalho, ele acessa o Banco de Empregos da FUNDOWN.

7. Área de Emprego
A Área de Emprego insere-se no Serviço de Emprego e Formação (SEFE) da Escola de Vida da FUNDOWN e conta com oito profissionais. Tem por objeto encontrar e promover novas vias de Inserção Laboral. Estão orientadas aos usuários que, uma vez finalizados os processos de formação profissional, demandam sua incorporação ao mundo do trabalho.
Esta área conta com brilhantes resultados obtidos no acesso ao mercado de trabalho comum por parte dos usuários da Fundação e na consolidação de seus postos de trabalho. Cabe destacar que as ações desenvolvidas pelo serviço de emprego são dirigidas a satisfazer as necessidades dos principais agentes envolvidos no processo de integração laboral: usuário, família e empresa.
O serviço prestado compreende ações de:
- Orientação laboral
- Prospecção de emprego
- Seleção de pessoal
- Banco ativo de empregos
- Acompanhamento na inserção
- Adaptação da pessoa ao posto
- Apoio no desempenho do posto de trabalho
- Assessoria e apoio à empresa: Ajudas e subsídios à contratação, apresentação de candidaturas, acompanhamento das colocações.
E, em geral, todas aquelas ações que conformem a consolidação do processo de integração laboral pleno. E isso, atendendo a um Itinerário de Inclusão Integral e Personalizado, baseado nos princípios de integração, normalização, autonomia e independência.
A metodologia do Emprego com Apoio é a que mais está em consonância com os fins fundamentais da Fundação, os quais consistem na plena integração familiar, social e laboral e no desenvolvimento de uma vida normal.
A partir desta área, aposta-se igualmente para que os Centros Especiais de Emprego tenham um papel fundamental na integração laboral de pessoas com D.I., desde que essa figura não se descaracterize. Os Centros Especiais de Emprego, como emprego protegido que são, devem ser utilizados como empresas para a criação de emprego. Mas também devem ser centros que possibilitem o desenvolvimento integral da pessoa com deficiência, possibilitando seu acesso ao emprego comum nos casos em que as capacidades e a motivação dos trabalhadores assim o aconselhem.
Direções principais
A FUNDOWN desenvolve distintas linhas de atuação no campo da inserção laboral de pessoas com D.I. Para conseguir este objetivo, a Área de Emprego trabalha em duas direções principais:
- Emprego na Empresa Ordinária. Por meio de três estratégias de inserção laboral
- Estágios em empresas: Posteriores a um curso de formação profissional. Terão como principal objetivo consolidar a formação prática quanto à realização de tarefas e às habilidades sociolaborais de um perfil concreto.
- Formação no Posto de Trabalho: É um processo estruturado de formação. Realiza-se diretamente no local de trabalho. A finalidade é proporcionar tanto os conhecimentos e habilidades necessários para desempenhar as tarefas próprias desse posto, como favorecer uma posterior contratação.
- Emprego com Apoio: Modalidade de emprego orientada à inserção laboral de pessoas com deficiência intelectual no mercado de trabalho comum. Este modelo pode ser entendido, tal como o define Bellver Silván (1994), como: “Um sistema de apoio técnico individualizado que aborda as habilidades laborais e sociais da pessoa e quantos recursos técnicos e adaptações sejam necessários para que o trabalhador com deficiência possa contribuir como mais um cidadão em um posto de trabalho real de uma empresa comum”.
- Criação de empresas (C.E.E.) e apoio às empresas já criadas pela Fundação.
A FUNDOWN conta com um Centro Especial de Emprego no qual a maioria dos trabalhadores são pessoas com deficiência intelectual:
- FUNDOWN Plant L. Centro Especial de Emprego participado pela FUNDOWN, sua principal atividade está ligada ao viveirismo e à jardinagem e está localizado no Paraje de Librilla.


8. Área de Moradias Compartilhadas na Fundação Síndrome de Down da Região de Murcia
A Área de Moradias Compartilhadas faz parte das Áreas do Serviço de Promoção para a Autonomia Pessoal SEPAP da FUNDOWN.
A Área conta com moradias concebidas como contexto formativo para a vida Autônoma e Independente do coletivo de pessoas com deficiência intelectual. Fomentamos cenários de aprendizagem para a preparação e apropriação de hábitos e condutas que impliquem a possibilidade de desenvolver uma vida autônoma. Queremos que a pessoa com deficiência tenha um papel ativo e protagonista nas decisões que regem sua vida.
As pessoas com deficiência intelectual convivem com jovens sem deficiência (estudantes universitários em sua maioria). Isso promove uma interação que gera as aprendizagens necessárias para a aquisição de ferramentas psicoeducativas.
Mediadores
A área, eminentemente formativa, implica um percurso no qual as pessoas sem deficiência (Mediadores) são os guias para a interiorização das aprendizagens. Os Mediadores precisam de formação na temática da Mediação Pedagógica, o que lhes permitirá colocar em prática sua função como modelos educativos.
O caminho de aprendizagem que os integrantes da Área percorrem é formado por diferentes modalidades. Elas se caracterizam pelos conteúdos de ensino sobre Vida Autônoma e Independente.
A Área define-se por um trabalho holístico com todos os agentes sociais, familiares e culturais vinculados às pessoas com deficiência. Essa colaboração e participação ativa permite que os indivíduos se enraízem nas experiências do mundo e desenvolvam todas as esferas de sua personalidade. O objetivo é potencializar e estimular pessoas capazes de sentir, pensar, agir e valorar.
Ações
- Promover o acesso dos jovens à área de moradias para realizar voluntariado
- Desenvolver habilidades e capacidades nos voluntários para uma convivência que gere aprendizagens de vida autônoma
- Desenvolver processos de ensino-aprendizagem que empoderem os usuários. Queremos uma maior autonomia pessoal e melhor funcionalidade para a vida, em diferentes contextos, sob as distintas modalidades da Área:

- Projeto Amigo
- Moradias Compartilhadas
- Vivendo entre Amigos
- Programa Minha Vida







A Síndrome de Down contada pela Down Las Palmas
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