Claudia Méndez Rodríguez analisa a microbiota intestinal e a doença de Alzheimer, destacando o papel do eixo microbiota-intestino-cérebro na saúde neurológica. O texto explora como a disbiose e a neuroinflamação condicionam a relação entre a microbiota intestinal e o comprometimento cognitivo para o diagnóstico precoce e novas vias terapêuticas.
A microbiota intestinal e a doença de Alzheimer se vinculam mediante o eixo microbiota-intestino-cérebro, um sistema bidirecional que regula a atividade cerebral e o estado cognitivo.
A disbiose e a neuroinflamação derivadas do envelhecimento incrementam a permeabilidade intestinal e o acúmulo de beta-amiloide no cérebro. Essa relação entre a microbiota intestinal e a deterioração cognitiva permite utilizar bactérias específicas como biomarcadores para o diagnóstico precoce da doença de Alzheimer (EA) e do comprometimento cognitivo leve (CCL).
Introdução
O envelhecimento associa-se a alterações cognitivas que podem fazer parte do processo normal ou estar relacionadas com patologias neurodegenerativas. Entre elas, a doença de Alzheimer é a causa mais frequente de demência e caracteriza-se por uma deterioração progressiva das funções cognitivas. Nos últimos anos, aumentou o interesse pelo possível papel da microbiota intestinal na etiologia e progressão dessa doença neurodegenerativa, devido à influência do eixo microbiota-intestino-cérebro.
Neste contexto, o presente artigo revisa o envelhecimento normal e patológico, a doença de Alzheimer (EA) e a possível relação entre a microbiota intestinal e a deterioração cognitiva.
Envelhecimento normal e patológico
No envelhecimento normal ocorre um declínio das funções cognitivas sem indicar patologia: apresenta-se um menor rendimento da memória visuoconstrutiva, procedimental e verbal, lentidão cognitiva e motora, deterioração de componentes executivos (memória de trabalho, flexibilidade cognitiva, e fluência semântica e de ações), funções premotoras, capacidades visuoconstrutivas, visoperceptivas e visoespaciais, e nomeação (García-Cabello, et al., 2021; Junqué y Barroso, 2009; Machado et al., 2018).
Contudo, no envelhecimento patológico as funções cognitivas vêem-se especialmente comprometidas, de modo que o rendimento cognitivo está muito abaixo da média correspondente à idade. Em função do nível de deterioração cognitiva podem diferenciar-se vários estágios:
- comprometimento cognitivo subjetivo (DCS), caracterizado por queixas cognitivas subjetivas do paciente sem evidência de deterioração cognitiva na avaliação neuropsicológica;
- comprometimento cognitivo leve (CCL), no qual existe uma deterioração cognitiva com preservação da capacidade funcional;
- e demência de qualquer tipo, na qual há uma elevada deterioração cognitiva juntamente com a perda da capacidade funcional (Junqué y Barroso, 2009).

Inscreva-se
na nossa
Newsletter
A doença de Alzheimer (EA)
A doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa na qual as funções cognitivas (memória, linguagem, atenção, funções visoespaciais e visuoconstrutivas, e funções executivas) e o comportamento encontram-se alterados, em comparação com um nível prévio de funcionamento normal, e objetivados mediante o protocolo de provas de uma avaliação neuropsicológica (Atri, 2019; Junqué y Barroso, 2009).
Concretamente, no Alzheimer dá-se um deterioração cognitiva de modo insidioso, lento e progressivo devido à existência de placas amiloides e emaranhados neurofibrilares, que são biomarcadores da patologia (Jagust, 2018). Quanto aos estágios, seguindo a classificação anteriormente mencionada, existem o comprometimento cognitivo leve (CCL) devido à doença de Alzheimer e a demência devida ao Alzheimer.
A etiologia do Alzheimer é multifatorial:
- Uma delas responde à base genética. Diferentes mutações de genes encontram-se associadas ao aparecimento da patologia: proteína precursora amiloide (APP), presenilina-1 (PSEN1), presenilina-2 ([PSEN2]; Viña y Sanz-Ros, 2018) e Apolipoproteína E ([APOE]; Khodabakhsh et al., 2021).
- O fator ambiental baseado na epigênese (Angelucci et al., 2019).
- A idade (Megur et al., 2020).
- O mau funcionamento do sistema imunitário (Ahmad et al., 2019).
Também variáveis sociodemográficas como gênero, educação, estilo de vida, comorbidades com outras patologias e sintomas psiquiátricos (depressão ou ansiedade) são de interesse (Megur et al., 2020).
Segundo a Sociedad Española de Neurología (SEN), a doença de Alzheimer tem uma incidência de cerca de 800.000 casos na Espanha, e diagnosticam-se em média 40.000 casos novos. Além disso, 80% do total que se encontram em estágios leves estão sem diagnosticar, e entre 30% e 40% dos casos totais não foram diagnosticados (Instituto Nacional de Estadística, 2022; Pérez, 2019).
Relação entre a microbiota e a doença de Alzheimer (EA)
Nos últimos anos tem-se sugerido que a microbiota intestinal poderia desempenhar um papel na etiologia da doença de Alzheimer e até atuar como possível biomarcador, embora a evidência ainda seja limitada e os mecanismos implicados não se conheçam completamente (Megur et al., 2020; Fink y Tamgüney, 2021; Sheng et al., 2023).
Os resultados das investigações são heterogêneos: alguns estudos encontraram diferenças na proporção e diversidade bacteriana entre pacientes com Alzheimer e sujeitos saudáveis (Nagpal et al., 2019; Vogt et al., 2017; Yıldırım et al., 2022), enquanto outros não observaram diferenças significativas na microbiota intestinal entre ambos os grupos (Cirstea et al., 2022).
O interesse por essa relação baseia-se na existência do eixo microbiota-intestino-cérebro, um sistema de comunicação bidirecional entre o intestino e o sistema nervoso central, mediado em parte pelo nervo vago, que permite à microbiota influir na atividade cerebral, na produção de neurotransmissores e no estado cognitivo (Megur et al., 2020; Faulin y Estadella, 2023; Ghosh et al., 2022).
Composição e funções da microbiota intestinal
A microbiota intestinal está formada por numerosos microrganismos organizados em distintos níveis taxonômicos, sendo os filos principais Firmicutes, Bacteroidetes, Actinobacteria, Proteobacteria, Fusobacteria e Verrucomicrobia, com um número de genes muito superior ao do genoma humano (Queiroz et al., 2022). Entre eles, Firmicutes e Bacteroidetes são os mais abundantes e participam em processos metabólicos essenciais como o metabolismo de carboidratos, a produção de energia e o metabolismo de aminoácidos (Ottman et al., 2012).
A microbiota cumpre funções-chave no organismo, como a regulação do sistema imunitário, o metabolismo de nutrientes, a produção de vitaminas e a proteção contra patógenos (Faulin y Estadella, 2023). No entanto, com o envelhecimento produzem-se mudanças na sua composição, com diminuição de bactérias benéficas como Lactobacillus, Bifidobacterium, Faecalibacterium ou Roseburia, e aumento de outras como Enterobacteriaceae ou Clostridium (Queiroz et al., 2022; Ghosh et al., 2022). Este desequilíbrio, denominado disbiose, pode provocar aumento da permeabilidade intestinal, ativação imunitária e processos inflamatórios sistémicos (Leblhuber et al., 2021; Escobar et al., 2022).
Microbiota intestinal, funções cognitivas e biomarcadores
A a disbiose intestinal pode favorecer a neuroinflamação e contribuir para o acúmulo de β-amiloide (Aβ), um dos principais marcadores patológicos da doença de Alzheimer (Tan et al., 2021; Faulin y Estadella, 2023). Algumas investigações encontraram ainda relações entre a microbiota intestinal e a conectividade funcional cerebral, observando-se associações entre bactérias como Bacteroides e Prevotella e regiões cerebrais implicadas em processos como a atenção, o reconhecimento, a memória episódica e o processamento visual ou linguístico (Cooke et al., 2022).
Considerando que a neuroinflamação desempenha um papel-chave na fisiopatologia do Alzheimer e do comprometimento cognitivo leve (CCL) (Barrio e Martín-Monzón, 2022), o estudo do eixo microbiota-intestino-cérebro foi proposto como uma possível via para a prevenção e o tratamento da doença (Queiroz et al., 2022). Nesse sentido, estratégias como intervenções dietéticas, probióticos ou o transplante de microbiota fecal poderiam ajudar a restaurar o equilíbrio do microbioma intestinal e melhorar os sintomas associados à doença de Alzheimer (Faulin e Estadella, 2023).
Além disso, a presença de β-amiloide no intestino de pacientes com Alzheimer sugere que a inflamação intestinal poderia ser utilizada no futuro como biomarcador precoce da doença (Molinero et al., 2023).
Evidência científica e eixo microbiota-intestino-cérebro
Em alguns estudos, os resultados mostram que a microbiota intestinal está alterada em pessoas com comprometimento cognitivo, observando-se diferenças na diversidade alfa (riqueza de espécies) e diversidade beta (estrutura da comunidade bacteriana) em relação a sujeitos saudáveis (Ling et al., 2021; Zhuang et al., 2018; Guo et al., 2021; Liu et al., 2019; Xi et al., 2021).
Embora os perfis microbianos não tenham sido completamente uniformes entre os estudos, identificaram-se padrões gerais de alterações em vários grupos bacterianos, como variações em Firmicutes, Bacteroidetes, Proteobacteria e Verrucomicrobia (Liu et al., 2019; Ling et al., 2021; Zhuang et al., 2018). Essas diferenças coincidem parcialmente com investigações prévias sobre microbiota e Alzheimer (Megur et al., 2020; Nagpal et al., 2019; Vogt et al., 2017; Yadav et al., 2023; Yıldırım et al., 2022).
Além disso, constatou-se que certas bactérias se relacionam com funções cognitivas como memória, funções executivas, linguagem e capacidades visoespaciais (Zhu et al., 2022; Cooke et al., 2022). Isso sugere que a microbiota intestinal poderia servir tanto como indicador do desempenho cognitivo quanto como possível alvo terapêutico no comprometimento cognitivo associado ao Alzheimer.
Além disso, foram identificados diversos microrganismos que poderiam atuar como biomarcadores para detectar ou diferenciar o comprometimento cognitivo leve (CCL) e a doença de Alzheimer (EA), entre eles Actinomycetaceae, Erysipelotrichaceae, Faecalibacterium, Bifidobacterium ou Pseudomonas (Liu et al., 2019; Ling et al., 2021; Xi et al., 2021; Zhu et al., 2022). Algumas bactérias também se relacionaram com o gene APOE4, um dos principais fatores genéticos de risco para o Alzheimer (Zhu et al., 2022; Camman et al., 2023; Khodabakhsh et al., 2021). Ademais, identificaram-se microrganismos com possíveis efeitos de risco, como Pseudomonas (Xi et al., 2021), e outros com efeitos protetores, como Eubacterium (Guo et al., 2021).
Por outro lado, a disbiose intestinal poderia favorecer processos inflamatórios e o acúmulo de β-amiloide no cérebro, o que contribuiria para o comprometimento cognitivo característico da doença (Faulin e Estadella, 2023; Connell et al., 2022). Essas alterações também se relacionam com uma redução da diversidade do microbioma intestinal em pacientes com Alzheimer, em comparação com sujeitos saudáveis (Cirstea et al., 2022; Vogt et al., 2017; Yıldırım et al., 2022).
A microbiota intestinal poderia desempenhar um papel importante na etiologia e progressão do Alzheimer, uma vez que apresenta diferenças em riqueza e estrutura entre pacientes com comprometimento cognitivo leve ou doença de Alzheimer e pessoas saudáveis, segundo algumas investigações (Ling et al., 2021; Zhuang et al., 2018). Além disso, certas bactérias associam-se ao desempenho em diferentes funções cognitivas e poderiam ser utilizadas como biomarcadores ou alvos terapêuticos. Esses achados abrem novas vias para a detecção precoce e o desenvolvimento de estratégias preventivas ou terapêuticas baseadas na modulação da microbiota intestinal.
Conclusões
Observou-se que o microbioma intestinal de pessoas com comprometimento cognitivo leve e demência devido ao Alzheimer é diferente do de participantes saudáveis, em função da alteração na proporção de um grande número de bactérias juntamente com a ampla diversidade encontrada. Apesar disso, são necessários mais estudos para obter um perfil comum da microbiota na doença de Alzheimer.
Consequentemente, propõe-se que a microbiota intestinal pode ser um possível e inovador biomarcador para detectar o Alzheimer, e dessa forma aumentar o conhecimento sobre a patologia. Investigações futuras devem ser orientadas para estudar a microbiota intestinal como variável preditora e de tratamento na doença de Alzheimer, por meio do estudo de fases anteriores à demência devida ao Alzheimer (comprometimento cognitivo subjetivo (DCS) e comprometimento cognitivo leve (CCL)) e da própria demência, de maneira longitudinal avaliando o mais detalhadamente possível as funções cognitivas mediante testes neuropsicológicos padronizados, estudando a riqueza e estrutura no mesmo táxon e realizando correlações entre a microbiota e variáveis cognitivas, clínicas e conforme o nível de comprometimento cognitivo objetivado entre os grupos amostrais.
Bibliografia
- Ahmad, M. H., Fatima, M., y Mondal, A. C. (2019). Influence of microglia and astrocyte activation in the neuroinflammatory pathogenesis of Alzheimer’s disease: Rational insights for the therapeutic approaches. Journal of Clinical Neuroscience, 59, 6-11. https://doi.org/10.1016/j.jocn.2018.10.034
- Angelucci, F., Čechová, K., Amlerová, J., y Hort, J. (2019). Antibiotics, gut microbiota, and Alzheimer’s disease. Journal of Neuroinflammation, 16(1). https://doi.org/10.1186/s12974-019-1494-4
- Atri, A. (2019). The Alzheimer’s Disease clinical spectrum. Medical Clinics of North America, 103(2), 263-293. https://doi.org/10.1016/j.mcna.2018.10.009
- Barrio, C., Sánchez, S. A., y Martín-Monzón, I. (2022). The Gut microbiota-brain axis, Psychobiotics and its Influence on brain and Behaviour: a systematic review. Psychoneuroendocrinology, 137, 105640. https://doi.org/10.1016/j.psyneuen.2021.105640
- Cammann, D., Lu, Y., Cummings, M. J., Zhang, M. L., Cue, J. M., Do, J., Ebersole, J. L., Chen, X., Oh, E. C., Cummings, J. L., y Chen, J. (2023). Genetic correlations between Alzheimer’s disease and gut microbiome genera. Scientific Reports, 13(1). https://doi.org/10.1038/s41598-023-31730-5
- Cirstea, M., Kliger, D., MacLellan, A., Yu, A., Langlois, J., Fan, M., Boroomand, S., Kharazyan, F., Hsiung, R. G. Y., MacVicar, B. A., Chertkow, H., Whitehead, V., Finlay, B. B., y Appel‐Cresswell, S. (2022). The oral and fecal microbiota in a Canadian cohort of Alzheimer’s disease. Journal of Alzheimer’s Disease, 87(1), 247-258. https://doi.org/10.3233/jad-215520
- Connell, E., Gall, G. L., Pontifex, M. G., Sami, S., Cryan, J. F., Clarke, G., Müller, M., y Vauzour, D. (2022). Microbial-derived metabolites as a risk factor of age-related cognitive decline and dementia. Molecular Neurodegeneration, 17(1). https://doi.org/10.1186/s13024-022-00548-6
- Cooke, M., Catchlove, S., y Tooley, K. L. (2022). Examining the influence of the human gut microbiota on cognition and stress: A Systematic Review of the literature. Nutrients, 14(21), 4623. https://doi.org/10.3390/nu14214623
- Escobar, Y. H., O’Piela, D., Wold, L. E., y Mackos, A. (2022). Influence of the Microbiota-Gut-Brain axis on cognition in Alzheimer’s Disease. Journal of Alzheimer’s Disease, 87(1), 17-31. https://doi.org/10.3233/jad-215290
- Faulin, T. D. E. S., y Estadella, D. (2023). ALZHEIMER’S DISEASE AND ITS RELATIONSHIP WITH THE MICROBIOTA-GUT-BRAIN AXIS. Arquivos De Gastroenterologia, 60(1), 144-154. https://doi.org/10.1590/s0004-2803.202301000-17
- Fink, A., Doblhammer, G., y Tamgüney, G. (2021). Recurring gastrointestinal infections increase the risk of dementia. Journal of Alzheimer’s Disease, 84(2), 797-806. https://doi.org/10.3233/jad-210316
- Garcia-Cabello, E., Gonzalez‐Burgos, L., Pereira, J. B., Hernández‐Cabrera, J. A., Westman, E., Volpe, G., Barroso, J., y Ferreira, D. (2021). The cognitive connectome in healthy aging. Frontiers in Aging Neuroscience, 13. https://doi.org/10.3389/fnagi.2021.694254
- Ghosh, T. S., Shanahan, F., y O’Toole, P. W. (2022). The gut microbiome as a modulator of healthy ageing. Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology, 19(9), 565-584. https://doi.org/10.1038/s41575-022-00605-x
- Guo, M., Peng, J., Huang, X., Xiao, L., Huang, F., y Zuo, Z. (2021). Gut microbiome features of Chinese patients newly diagnosed with Alzheimer’s disease or mild cognitive impairment. Journal of Alzheimer’s Disease, 80(1), 299-310. https://doi.org/10.3233/jad-201040
- Instituto Nacional de Estadística (2022). Las cifras del Alzheimer en España: número de personas y mortalidad. Recuperado del Instituto Nacional de Estadística.
- Jagust, W. J. (2018). Imaging The Evolution and Pathophysiology of Alzheimer Disease. Nature Reviews Neuroscience, 19(11), 687-700. https://doi.org/10.1038/s41583-018-0067-3
- Junqué, C., y Barroso, J., (2009). Manual de neuropsicología. Síntesis.
- Khodabakhsh, P., Bazrgar, M., Dargahi, L., Mohagheghi, F., Taei, A. A., Parvardeh, S., y Ahmadiani, A. (2021). Does Alzheimer’s disease stem in the gastrointestinal system? Life Sciences, 287, 120088. https://doi.org/10.1016/j.lfs.2021.120088
- Leblhuber, F., Ehrlich, D., Steiner, K., Geisler, S., Fuchs, D., Lanser, L., y Kurz, K. (2021). The immunopathogenesis of Alzheimer’s disease is related to the composition of gut microbiota. Nutrients, 13(2), 361. https://doi.org/10.3390/nu13020361
- Ling, Z., Zhu, M., Yan, X., Cheng, Y., Shao, L., Liu, X., Jiang, R., y Wu, S. (2021). Structural and functional dysbiosis of fecal microbiota in Chinese patients with Alzheimer’s disease. Frontiers in Cell and Developmental Biology, 8. https://doi.org/10.3389/fcell.2020.634069
- Liu, P., Wu, L., Peng, G., Han, Y., Tang, R., Ge, J., Zhang, L., Jia, L., Yue, S., Zhou, K., Li, L., Luo, B., y Wang, B. (2019). Altered microbiomes distinguish Alzheimer’s disease from amnestic mild cognitive impairment and health in a Chinese cohort. Brain, Behavior, and Immunity, 80, 633-643. https://doi.org/10.1016/j.bbi.2019.05.008
- Machado, A., Barroso, J., Molina, Y., Nieto, A., Díaz-Flores, L., Westman, E., y Ferreira, D. (2018). Proposal for a hierarchical, multidimensional, and multivariate approach to investigate cognitive aging. Neurobiology of Aging, 71, 179–188. https://doi.org/10.1016/j.neurobiolaging.2018.07.017
- Megur, A., Baltriukienė, D., Bukelskienė, V., y Burokas, A. (2020). The Microbiota–Gut–Brain axis and Alzheimer’s Disease: neuroinflammation is to blame? Nutrients, 13(1), 37. https://doi.org/10.3390/nu13010037
- Molinero, N., Antón, A., Hernández, F., Ávila, J., Bartolomé, B., y Moreno‐Arribas, M. V. (2023). Gut microbiota, an additional hallmark of human aging and neurodegeneration. Neuroscience, 518, 141-161. https://doi.org/10.1016/j.neuroscience.2023.02.014
- Nagpal, R., Neth, B. J., Wang, S., Craft, S., y Yadav, H. (2019). Modified Mediterranean-ketogenic diet modulates gut microbiome and short-chain fatty acids in association with Alzheimer’s disease markers in subjects with mild cognitive impairment. EBioMedicine, 47, 529-542. https://doi.org/10.1016/j.ebiom.2019.08.032
- Ottman, N., Smidt, H., De Vos, W. M., y Belzer, C. (2012). The function of our microbiota: who is out there and what do they do? Frontiers in Cellular and Infection Microbiology, 2. https://doi.org/10.3389/fcimb.2012.00104
- Pérez, A. (2019). 21 de septiembre: Día mundial de la Enfermedad de Alzheimer [Archivo PDF]. https://www.sen.es/saladeprensa/pdf/Link280.pdf
- Queiroz, S. A. L., Ton, A. M. M., De Melo Costa Pereira, T., Campagnaro, B. P., Martinelli, L., Picos, A., Campos‐Toimil, M., y Vasquez, E. C. (2022). The Gut Microbiota-Brain Axis: a new frontier on neuropsychiatric disorders. Frontiers in Psychiatry, 13. https://doi.org/10.3389/fpsyt.2022.872594
- Sheng, C., Du, W., Liu, Y., Xu, P., Ding, Q., Xue, C., Jia, S., y Wang, X. (2023). An integrated neuroimaging-omics approach for the gut-brain communication pathways in Alzheimer’s disease. Frontiers in Aging Neuroscience, 15. https://doi.org/10.3389/fnagi.2023.1211979
- Tan, L. Y., Yeo, X. Y., Bae, H., Lee, D. P. S., Ho, R., Kim, J. E., Jo, D., y Jung, S. (2021). Association of gut microbiome dysbiosis with neurodegeneration: Can Gut Microbe-Modifying Diet prevent or alleviate the symptoms of neurodegenerative diseases? Life, 11(7), 698. https://doi.org/10.3390/life11070698
- Viña, J., y Sanz-Ros, J. (2018). Alzheimer’s disease: Only prevention makes sense. European Journal of Clinical Investigation, 48(10). https://doi.org/10.1111/eci.13005
- Vogt, N., Kerby, R. L., Dill‐McFarland, K. A., Harding, S., Merluzzi, A. P., Johnson, S. C., Carlsson, C. M., Asthana, S., Zetterberg, H., Blennow, K., Bendlin, B. B., y Rey, F. E. (2017). Gut microbiome alterations in Alzheimer’s disease. Scientific Reports, 7(1). https://doi.org/10.1038/s41598-017-13601-y
- Xi, J., Ding, D., Zhu, H., Wang, R., Su, F., Wu, W., Xiao, Z., Liang, X., Zhao, Q., Hong, Z., Fu, H., y Xiao, Q. (2021). Disturbed microbial ecology in Alzheimer’s disease: Evidence from the gut microbiota and fecal metabolome. BMC Microbiology, 21(1). https://doi.org/10.1186/s12866-021-02286-z
- Yadav, H., Jaldhi, Bhardwaj, R., Anamika, A., Bakshi, A., Gupta, S., y Maurya, S. K. (2023). Unveiling the role of gut-brain axis in regulating neurodegenerative Diseases: A Comprehensive review. Life Sciences, 330, 122022. https://doi.org/10.1016/j.lfs.2023.122022
- Yıldırım, S., Nalbantoğlu, U., Bayraktar, A., Ercan, F. B., Gündoğdu, A., Velioğlu, H. A., Göl, M., Ekinci, A., Koç, F., Gülpınar, E. A., Kadak, K. S., Arıkan, M., Mardinoğlu, A., Koçak, M., Köseoğlu, E., y Hanoğlu, L. (2022). Stratification of the gut microbiota composition landscape across the Alzheimer’s disease continuum in a Turkish cohort. MSystems, 7(1). https://doi.org/10.1128/msystems.00004-22
- Zhu, Z., Ma, X., Wu, J., Xiao, Z., Wu, W., Ding, S., Lv, Z., Liang, X., Luo, J., Ding, D., y Zhao, Q. (2022). Altered gut microbiota and its clinical relevance in mild cognitive impairment and Alzheimer’s disease: Shanghai Aging Study and Shanghai Memory Study. Nutrients, 14(19), 3959. https://doi.org/10.3390/nu14193959
- Zhuang, Z., Shen, L., Li, W., Fu, X., Zeng, F., Gui, L., Lü, Y., Cai, M., Zhu, C., Tan, Y., Zheng, P., Li, H., Zhu, J., Zhou, H., Bu, X., y Wang, Y. (2018). Gut microbiota is altered in patients with Alzheimer’s disease. Journal of Alzheimer’s Disease, 63(4), 1337-1346. https://doi.org/10.3233/jad-180176
Perguntas frequentes sobre a microbiota intestinal e Alzheimer
1. Qual é a relação entre a microbiota intestinal e o declínio cognitivo?
A relação entre a microbiota intestinal e o declínio cognitivo manifesta-se através de alterações na proporção e na diversidade bacteriana do organismo. Estudos indicam que pacientes com a doença de Alzheimer (EA) apresentam uma redução de bactérias benéficas e alterações na diversidade alfa e beta do seu microbioma em comparação com indivíduos saudáveis. Esses desequilíbrios sugerem que a microbiota poderia atuar como um biomarcador precoce da progressão da doença.
2. O que é o eixo microbiota-intestino-cérebro e como ele afeta o Alzheimer?
O eixo microbiota-intestino-cérebro é um sistema de comunicação bidirecional que conecta o trato gastrointestinal ao sistema nervoso central, usando o nervo vago como uma de suas vias principais. Esse eixo permite que a microbiota influencie a produção de neurotransmissores, a atividade cerebral e o estado cognitivo. Na doença de Alzheimer, falhas nesse eixo intestino-cérebro podem desencadear respostas neuroinflamatórias que aceleram a neurodegeneração.
3. Qual é o impacto da disbiose e da neuroinflamação no cérebro?
A disbiose e a neuroinflamação estão estreitamente vinculadas: o desequilíbrio microbiano aumenta a permeabilidade intestinal, o que desencadeia processos inflamatórios sistêmicos. Essa inflamação crônica favorece o acúmulo de beta-amiloide, um dos principais marcadores da doença de Alzheimer. Além disso, observou-se que a inflamação intestinal pode preceder o aparecimento de sintomas cognitivos, funcionando como um indicador de risco.
4. Quais bactérias se associam especificamente à doença de Alzheimer?
Pesquisas identificaram diversos microrganismos que variam conforme o nível de declínio cognitivo:
- Fatores de risco: Gêneros como Pseudomonas têm sido relacionados a um maior risco de declínio.
- Efeitos protetores: Bactérias como Eubacterium mostram possíveis efeitos protetores sobre a cognição.
- Biomarcadores de declínio cognitivo leve (CCL) e doença de Alzheimer (EA): Famílias como Actinomycetaceae e Erysipelotrichaceae, junto a gêneros como Bifidobacterium, são chave para diferenciar estágios da doença.
- Relação genética: Algumas bactérias mostram associações específicas com o gene APOE4, o principal fator de risco genético para a doença de Alzheimer.
5. É possível tratar a doença de Alzheimer modulando a microbiota?
Sim, a modulação do eixo intestino-cérebro propõe-se como uma via terapêutica para restaurar o equilíbrio do microbioma e mitigar sintomas. As estratégias clínicas incluem intervenções dietéticas, o uso de probióticos e o transplante de microbiota fecal, os quais podem reduzir a neuroinflamação e melhorar o desempenho cognitivo em estágios de declínio cognitivo leve (CCL) e demência.







Transtornos neurocognitivos em centros de idosos: avaliação e intervenção na prática diária
Deixe um comentário