A neuropsicóloga e psicoterapeuta Cesia Argumedo explica como abordar o impacto emocional das dificuldades de aprendizagem por meio da avaliação neuropsicológica, da psicoterapia e da reabilitação cognitiva.
Este resumo executivo clínico analisa o impacto emocional das dificuldades de aprendizagem, destacando a avaliação neuropsicológica como uma intervenção terapêutica fundamental para validar o sofrimento do paciente e modificar narrativas de fracasso. Além disso, propõe uma abordagem integral que sincroniza a psicoterapia —para gerenciar a ansiedade e a autoestima— com a reabilitação cognitiva baseada em evidências. Por fim, ressalta o valor estratégico da gamificação e da telereabilitação por meio de plataformas como NeuronUP para reduzir a fadiga, manter a motivação e consolidar os avanços clínicos a longo prazo.
Como as dificuldades de aprendizagem afetam a saúde mental?
As dificuldades de aprendizagem —como a dislexia, a discalculia ou o TDAH— não são vivenciadas apenas como um desafio acadêmico. Muitas vezes, são experimentadas como uma sequência repetida de esforço sem recompensa, em um ambiente no qual o desempenho é comparado, medido e constantemente exposto. Com o tempo, essa experiência deixa uma marca emocional que não se expressa da mesma forma em todos os momentos da vida, mas muda de acordo com a idade, o contexto e as explicações que a pessoa recebeu sobre o que acontece com ela.
Para organizar essa discussão, é útil acompanhar três níveis que se sobrepõem na prática clínica:
- primeiro, como a dificuldade de aprendizagem afeta a experiência emocional;
- segundo, como a avaliação neuropsicológica pode validar e reorganizar essa experiência;
- e terceiro, como a psicoterapia, a reabilitação cognitiva e a tecnologia podem sustentar uma mudança real ao longo do tempo.
A frustração e o estresse escolar em crianças e adolescentes
Uma revisão de vários estudos realizada por Nelson y Harwood (2011) constatou que crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizagem apresentam níveis significativamente mais altos de ansiedade do que seus pares, um achado consistente em diferentes estudos e faixas etárias. Na prática clínica, essa ansiedade raramente se apresenta como um traço generalizado: costuma se concentrar em situações específicas de desempenho —provas, leitura em voz alta, tarefas cronometradas—, o que sugere tratar-se de uma resposta aprendida e situacional, que, em princípio, pode ser modificada com a intervenção adequada.
Na infância, essa ansiedade costuma se expressar de forma indireta: dores de estômago ou de cabeça antes de ir à escola, resistência ou choro diante da tarefa, evitação ativa da leitura em voz alta ou irritabilidade, que às vezes é interpretada equivocadamente como “mau comportamento”, quando na realidade é uma resposta de frustração diante de uma demanda que a criança não consegue atender.
Na adolescência, o quadro muda de forma: surge com mais frequência uma fachada de desinteresse (“não me importo com a escola”, “para que me esforçar?”) que funciona como mecanismo de proteção, pois parece menos doloroso demonstrar que não se importa do que tentar com esforço genuíno e fracassar mesmo assim.
A isso se soma um componente de autoestima que é importante diferenciar do sofrimento ansioso. Alesi, Rappo y Pepi (2012) documentaram menor autoestima acadêmica específica em crianças com dificuldades de aprendizagem. Esse achado é importante porque essa baixa autoestima costuma estar restrita ao âmbito escolar e pode coexistir, sem contradição, com uma autoestima preservada ou até elevada em outras áreas da vida da criança, como esporte, arte ou relações com amigos.
Essa nuance tem uma implicação clínica direta: se um profissional avalia a autoestima de forma global e a considera “normal”, pode deixar passar um sofrimento específico e significativo que só aparece quando se explora detalhadamente a experiência escolar.
O peso emocional do diagnóstico tardio em adultos com dificuldades de aprendizagem
Quando a dificuldade não é identificada na infância, ela não desaparece: reorganiza-se dentro da história pessoal. Undheim (2003), em um acompanhamento longitudinal de adultos jovens com histórico de dislexia, constatou taxas mais altas de problemas emocionais e menor bem-estar psicossocial entre aqueles que não haviam recebido apoio oportuno durante a etapa escolar.
Sem uma linguagem para nomear aquilo que lhes era difícil, muitos desses adultos cresceram com uma única explicação disponível: simplesmente não se esforçavam o suficiente ou não eram tão capazes quanto seus colegas. Essa explicação, embora falsa, pode se instalar com a mesma força —ou até mais— que um diagnóstico real, justamente porque ninguém a questionou a tempo.
Por isso, quando o diagnóstico finalmente chega na vida adulta, costuma produzir uma reação dupla:
- Por um lado, um alívio imediato e genuíno ao finalmente encontrar uma explicação coerente para dificuldades que carregaram durante toda a vida escolar e, muitas vezes, também no âmbito profissional.
- Por outro lado, algo parecido com um luto: a pessoa precisa processar o tempo, as oportunidades e a autoestima que ficaram para trás sob uma narrativa equivocada sobre a própria capacidade.
Livingston, Siegel y Ribary (2018) apontam que esse impacto emocional pode persistir mesmo quando a pessoa desenvolveu, ao longo dos anos, estratégias compensatórias eficazes para suas tarefas acadêmicas ou profissionais —o que confirma que o sofrimento não depende apenas do desempenho atual, mas da ferida narrativa deixada pela ausência de uma explicação anterior.
Isso tem uma implicação clínica concreta para quem avalia adultos: o processo de devolutiva diagnóstica nessa população deveria incluir um espaço explícito para elaborar essa história anterior, e não se limitar a explicar o perfil cognitivo atual —algo que, em crianças, em geral, ainda não é necessário elaborar com a mesma profundidade.
Avaliação neuropsicológica: como validar o sofrimento emocional nas dificuldades de aprendizagem
Compreender o perfil cognitivo individual para reduzir a culpa
Aqui está, em minha opinião, uma das contribuições mais específicas que a neuropsicologia pode oferecer à psicoterapia: uma devolutiva do perfil cognitivo, bem comunicada, pode funcionar como uma ferramenta de reatribuição causal para a criança ou o adolescente.
Para entender por que isso importa, é preciso partir de um achado clássico. Licht, Kistner, Ozkaragoz, Shapiro y Clausen (1985) descreveram como crianças com dificuldades de aprendizagem tendem a desenvolver um estilo atributivo específico, atribuindo o fracasso a causas internas, estáveis e globais (“sou burro”, “nunca vou conseguir”) e o sucesso a causas externas e instáveis (“tive sorte”). O aspecto clinicamente relevante é que esse padrão persiste mesmo quando a criança tem sucesso —o que o diferencia de uma simples baixa autoestima transitória e explica por que o reforço positivo genérico (“você foi muito bem!”) costuma não produzir efeito nem modificar a narrativa interna.
Butkowsky y Willows (1980) mostraram, além disso, que crianças com baixa habilidade de leitura persistem menos diante da dificuldade e apresentam expectativas de sucesso mais baixas desde o início da tarefa, um padrão compatível com essa forma específica de desamparo aprendido.
É justamente aqui que a avaliação neuropsicológica pode intervir diretamente sobre os três componentes desse padrão. Quando uma criança compreende que sua lentidão de leitura corresponde a um perfil específico de processamento fonológico —e não à falta de inteligência ou de esforço—, a atribuição deixa de ser interna (já não é “eu sou o problema”, mas “meu perfil de processamento é diferente”), deixa de ser global (já não é “não sirvo para nada”, mas “isso especificamente é mais difícil para mim”) e deixa de ser percebida como estável (uma causa identificada abre caminho para a intervenção). Assim, a devolutiva diagnóstica, quando comunicada dessa maneira, torna-se um momento clínico central, e não um simples trâmite administrativo.
Diagnóstico diferencial e comorbidade com transtornos de ansiedade ou depressão
A avaliação neuropsicológica também desempenha uma função de diagnóstico diferencial, pois permite distinguir quanto do baixo desempenho observado corresponde ao perfil cognitivo de base e quanto a uma ansiedade ou sintomatologia depressiva associada que, por sua vez, acaba piorando ainda mais esse desempenho.
Na prática, nem sempre é simples separar esses aspectos, porque uma criança com dislexia não diagnosticada e outra com um quadro de ansiedade clínica podem se apresentar de forma muito semelhante em sala de aula, com dificuldade de concentração, evitação de certas tarefas e baixo desempenho persistente em leitura ou matemática.
Essa distinção se torna ainda mais complexa porque, com frequência, ambos os quadros coexistem na mesma pessoa. Willcutt y Pennington (2000) encontraram taxas significativamente elevadas de comorbidade entre dificuldades de leitura e transtornos de ansiedade e do humor, em comparação com uma população sem dificuldades de aprendizagem, o que confirma que a pergunta clinicamente relevante quase nunca é “isso é um problema cognitivo ou emocional?”: é antes “em que proporção cada um está presente e como estão se retroalimentando neste caso específico?”.
Essa distinção não é meramente acadêmica; ela orienta boa parte do plano de intervenção:
- Se o baixo desempenho for explicado principalmente pelo perfil cognitivo de base, a prioridade será o treinamento específico correspondente.
- Se a ansiedade ou a sintomatologia depressiva forem o componente predominante, a abordagem psicoterapêutica deve ocupar o primeiro plano, pois, caso contrário, qualquer treinamento cognitivo encontrará um sistema nervoso que não está em condições de aproveitá-lo.
E no cenário mais frequente na prática clínica —em que ambos os componentes estão presentes e se retroalimentam— o plano precisa avançar em paralelo, com uma ênfase que pode, e provavelmente deve, mudar à medida que o caso evolui.
Intervenção integral: psicoterapia e reabilitação cognitiva nas dificuldades de aprendizagem
Abordagem psicoterapêutica da autoestima e da ansiedade antecipatória
Uma vez identificado o padrão atributivo, o trabalho psicoterapêutico pode se orientar para desconstruí-lo de maneira específica, em vez de abordar a autoestima ou a ansiedade de forma genérica. A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) é especialmente útil aqui porque não pede à criança que negue uma dificuldade que é real. Em vez disso, ensina-a a tomar distância de pensamentos como “sou burro”, compreendendo que um pensamento não é um fato nem uma sentença, e que pode agir de acordo com seus valores —esforçar-se, participar, tentar— mesmo quando esse pensamento incômodo continua presente.
Hayes, Luoma, Bond, Masuda y Lillis (2006) propõem que esse trabalho de flexibilidade psicológica é relevante quando a fonte do sofrimento não pode nem deve ser resolvida por meio da evitação. Em uma dificuldade de aprendizagem real, não basta pensar de forma diferente para que o problema desapareça; o que pode ser transformado é a relação que a pessoa estabelece com essa dificuldade.
A ansiedade antecipatória diante de tarefas de leitura, provas cronometradas ou da possibilidade de ser exposto perante os colegas responde bem a um trabalho mais comportamental, de exposição gradual e planejada a essas situações, começando por versões de baixa intensidade e aumentando a dificuldade à medida que a criança desenvolve tolerância.
Esse componente se beneficia de ser acompanhado por um treinamento específico em regulação emocional, uma área em que a Terapia Dialético-Comportamental (DBT) oferece ferramentas concretas. Miller, Rathus y Linehan (2007) desenvolveram protocolos —originalmente pensados para adolescentes com alto risco de comportamento suicida e autolesão, mas cujas habilidades de regulação emocional são amplamente transferíveis— que ensinam a nomear a emoção, reconhecer sua função e responder de modo eficaz, em vez de reativo, algo particularmente útil para adolescentes que aprenderam a lidar com a frustração acadêmica por meio da evitação, da explosividade ou do retraimento.
Por fim, a reestruturação cognitiva própria da Terapia Cognitivo-Comportamental (CBT) pode ser aplicada pontualmente às atribuições de sucesso e fracasso descritas anteriormente, ajudando a criança ou o adolescente a identificar quando está pensando em termos internos-estáveis-globais e a praticar explicações alternativas, mais específicas e realistas, apoiadas nas informações já fornecidas pela avaliação neuropsicológica.
A combinação dessas três abordagens —flexibilidade psicológica, regulação emocional e reestruturação atributiva— busca, mais do que eliminar a dificuldade de aprendizagem ou o sofrimento que a acompanha, evitar que esse sofrimento se generalize e acabe ocupando mais espaço na vida da criança do que a dificuldade original.
Estratégias de estimulação cognitiva baseadas em evidências
Paralelamente ao trabalho psicoterapêutico, o treinamento cognitivo direcionado continua sendo necessário. Não se trata de substituir o trabalho emocional; ele cumpre uma função que a psicoterapia sozinha não pode desempenhar: oferece à criança evidências concretas e verificáveis de progresso. Essa evidência é precisamente o que reforça, na prática e não apenas no discurso, a nova narrativa atributiva que está sendo construída na terapia —pois não é a mesma coisa dizer a uma criança “você pode melhorar” e mostrar-lhe, semana após semana, que ela está de fato melhorando em algo mensurável.
O tipo de treinamento deve responder ao perfil identificado na avaliação, e não ser aplicado de forma genérica:
- Quando o componente predominante é fonológico, programas estruturados como Orton-Gillingham demonstraram melhorias significativas em revisões de vários estudos (Galuschka et al., 2014), trabalhando sistematicamente a correspondência entre sons e letras.
- Quando a principal dificuldade está na velocidade e na fluência de leitura, a leitura repetida cronometrada —reler um mesmo texto com dificuldade graduada— pode aumentar a velocidade de leitura de forma mensurável em algumas semanas (Therrien, 2004), oferecendo justamente esse tipo de progresso tangível que reforça a nova atribuição causal.
- E quando o perfil inclui comprometimento das funções executivas, Diamond y Lee (2011) revisaram diferentes intervenções —desde o treinamento estruturado até determinadas atividades lúdicas e físicas— capazes de melhorar a memória de trabalho, a inibição e a flexibilidade cognitiva em crianças, habilidades que também sustentam a autorregulação necessária para que o trabalho psicoterapêutico avance com menos atrito.
É a combinação dessas duas linhas de trabalho, mais do que qualquer uma delas isoladamente, que rompe efetivamente o ciclo entre dificuldade cognitiva e sofrimento emocional. O treinamento cognitivo sem abordagem emocional deixa intacta a narrativa de fracasso que pode sabotar o progresso; o trabalho emocional sem treinamento cognitivo corre o risco de permanecer em um nível discursivo, sem o respaldo de conquistas concretas que tornem crível, na prática, a nova forma de compreender a própria dificuldade.
O papel da tecnologia na neurorreabilitação e na motivação em dificuldades de aprendizagem
Gamificação para reduzir a fadiga cognitiva e emocional
O treinamento cognitivo contínuo pode ser, por si só, uma fonte adicional de fadiga e frustração se for percebido como uma extensão da tarefa escolar que já causa sofrimento. Nesse contexto, a gamificação oferece uma via de trabalho diferente.
Sailer y Homner (2020), em uma análise que reuniu os resultados de diferentes pesquisas sobre gamificação da aprendizagem, encontraram efeitos positivos moderados tanto nos resultados cognitivos quanto nos motivacionais, especialmente quando o design inclui feedback imediato e uma sensação visível de progresso —elementos que também ajudam a combater diretamente a narrativa de fracasso descrita na seção anterior.
Plataformas como NeuronUP incorporam esse princípio ao estruturar o treinamento cognitivo em formato de atividades interativas e progressivas, o que pode facilitar que a criança vivencie pequenos sucessos concretos e frequentes, em vez da experiência de esforço-sem-recompensa que tantas vezes caracteriza a tarefa escolar tradicional.
Vale a pena, no entanto, manter uma perspectiva equilibrada, tal como Simons et al. (2016), em sua revisão crítica sobre programas de treinamento cerebral, advertem que nem todo ganho dentro de uma plataforma gamificada é automaticamente transferido para outros contextos; por isso, essas ferramentas funcionam melhor como complemento de um plano clínico mais amplo do que como intervenção isolada.

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Telereabilitação e continuidade do tratamento remoto
A telereabilitação também resolve um problema prático que incide diretamente sobre o aspecto emocional: a interrupção do tratamento por barreiras geográficas ou de tempo, que por si só pode gerar frustração e sensação de estagnação.
Isso é particularmente relevante em contextos como o latino-americano, onde muitas famílias precisam percorrer distâncias consideráveis ou depender da disponibilidade de trabalho de um cuidador para chegar a uma consulta presencial e onde cada sessão perdida não representa apenas uma sessão a menos, mas uma interrupção na continuidade de um processo que, como vimos, precisa ser mantido ao longo do tempo para que o trabalho cognitivo e o emocional se retroalimentem.
Camden y Silva (2021) revisaram a expansão da telereabilitação pediátrica e apontaram que, além de resolver barreiras geográficas de acesso, esse formato permite manter uma frequência de intervenção mais constante, um fator que as evidências associam a melhores resultados no treinamento cognitivo direcionado. Continuar o treinamento remotamente —algo que plataformas como NeuronUP permitem por meio de sessões e exercícios acessíveis a distância— facilita justamente essa constância, evitando os intervalos de várias semanas que um formato exclusivamente presencial pode gerar quando surge um imprevisto de deslocamento, de horário de trabalho dos pais ou até mesmo relacionado ao clima ou à distância em áreas rurais.
Essa continuidade não é um benefício meramente logístico, mas sustenta os avanços obtidos no trabalho emocional descrito nas seções anteriores. Uma criança que começa a construir uma narrativa atributiva diferente precisa continuar recebendo regularmente essa evidência concreta de progresso; uma interrupção prolongada do treinamento cognitivo não apenas interrompe o avanço, como pode reabrir a porta para a antiga narrativa de “afinal, não adianta tentar”, justamente o padrão que todo o processo terapêutico buscava desconstruir.
Conclusões para a prática clínica diária
Se há uma ideia que este artigo busca deixar registrada, é que o impacto emocional das dificuldades de aprendizagem não se resolve com mais acolhimento nem com mais reforço positivo genérico; mas sim interrompendo a narrativa atributiva que a criança construiu durante anos de esforço sem resultado. Todo o restante —a avaliação diferencial, a psicoterapia, o treinamento cognitivo, a tecnologia— cumpre sua função na medida em que serve a esse propósito central.
Isso redefine o papel da avaliação neuropsicológica, pois ela deixa de ser uma etapa anterior à intervenção “verdadeira” e passa a ser uma intervenção em si mesma, no exato momento em que uma criança ouve, pela primeira vez, uma explicação para sua dificuldade que não a condena. A partir daí, cada elemento —a psicoterapia que trabalha a flexibilidade psicológica e a regulação emocional, o treinamento cognitivo que fornece evidências tangíveis de progresso, a tecnologia que sustenta a continuidade do processo— deixa de ser um componente isolado e se torna mais uma prova, acumulada semana após semana, de que a velha história (“sou burro”, “nunca vou conseguir”) já não descreve o que está acontecendo.
Como profissionais, isso nos obriga a levar a sério um momento que às vezes tratamos como trâmite: a devolutiva diagnóstica. Não é apenas o encerramento de uma avaliação; é, potencialmente, o primeiro momento em que uma criança ou um adolescente deixa de carregar sozinho a culpa por algo que nunca foi falta de esforço ou de inteligência, mas uma forma diferente —e perfeitamente real— de processar o mundo.
Referências bibliográficas
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Perguntas frequentes sobre o impacto emocional das dificuldades de aprendizagem
1. Como as dificuldades de aprendizagem afetam a saúde mental de crianças e adolescentes?
As dificuldades de aprendizagem estão associadas a níveis significativamente mais altos de ansiedade escolar, estresse, dores somáticas e, em muitos casos, baixa autoestima acadêmica.
Menores com dificuldades de aprendizagem apresentam níveis significativamente mais altos de ansiedade em situações de desempenho e costumam experimentar menor autoestima acadêmica específica. Essa ansiedade pode se expressar por meio de dores somáticas, resistência à tarefa ou, nos adolescentes, por uma fachada de desinteresse como mecanismo de proteção.
2. O que a avaliação neuropsicológica proporciona ao bem-estar emocional do paciente?
A devolutiva diagnóstica bem comunicada funciona como uma ferramenta de reatribuição causal. Permite que cada criança com dificuldades de aprendizagem compreenda que sua dificuldade responde a um perfil cognitivo específico, evitando que atribua o fracasso a uma suposta falta de inteligência ou esforço.
3. Qual é o impacto do diagnóstico tardio de dificuldades de aprendizagem em adultos?
Aqueles que não recebem apoio oportuno durante a etapa escolar costumam apresentar taxas mais altas de problemas emocionais e menor bem-estar psicossocial. O diagnóstico na vida adulta costuma gerar alívio genuíno por encontrar uma explicação, mas também um processo de luto pelas oportunidades perdidas sob uma narrativa pessoal equivocada.
4. Por que o treinamento cognitivo é importante junto com a psicoterapia?
O treinamento cognitivo fornece evidências concretas e verificáveis de progresso, reforçando na prática a nova narrativa psicológica que o paciente constrói na terapia.
5. Como a gamificação ajuda na neurorreabilitação?
Plataformas como NeuronUP estruturam o treinamento cognitivo por meio de atividades interativas que fornecem feedback imediato, reduzem a fadiga e permitem vivenciar pequenos sucessos constantes.







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