Soraya Vázquez Caro, psicóloga da ADEMBI (Esclerosis Múltiple Euskadi), conta neste artigo sua experiência no tratamento da esclerose múltipla com NeuronUP.
Labor da Asociación de Esclerosis Múltiple de Bizkaia
Em nossa associação oferece-se o serviço de neuropsicologia desde fevereiro de 2006 dada a necessidade que existe nas pessoas com esclerose múltipla. Estima-se que o % de deterioração cognitiva em pessoas com esclerose múltipla situa-se acima de 60%.
Normalmente, quando começam realiza-se uma avaliação neuropsicológica que costuma repetir-se a cada certo tempo. Seja como acompanhamento, no caso de que tenha havido um agravamento evidente, ou quando solicitem um relatório para algum trâmite como pode ser a incapacidade laboral.
Nas sessões de neuropsicologia emprega-se muito o programa NeuronUP para o tratamento da esclerose múltipla, tanto em atividades em papel como digitais. Alguns também levam fichas para fazer em casa.
NeuronUP nos traz a vantagem de ver quais exercícios a pessoa fez anteriormente e quando foi a última vez que fez um exercício concreto. Também nos permite selecionar uma função concreta para trabalhar, comparar resultados em uma mesma atividade e dar-lhes feedback.
Além disso, o utilizamos também em um computador táctil e muito grande, o que lhes permite usá-lo sem necessidade de manejar o mouse, dadas as alterações motoras, de motricidade fina, preensão, tremor, etc.
Da mesma forma, facilita a tarefa a todos aqueles que têm alterações visuais, que são muitos, pelo tamanho da tela, e porque as instruções as oferece também em áudio, não só por escrito.
Nossa experiência com NeuronUP no tratamento da esclerose múltipla
A seguir, a psicóloga nos conta sua experiência com NeuronUP no tratamento da esclerose múltipla.
Os inícios com NeuronUP
Quanto à trajetória desta ferramenta em nossa associação, começamos a utilizá-la aproximadamente em setembro de 2012, quando ainda estava há muito pouco tempo no mercado.
Naquela época, reunimo-nos em numerosas ocasiões para fazer um seguimento ao funcionamento da plataforma, que sugestões tínhamos quanto a melhorias, adaptações, e as necessidades que iam surgindo ao começar a aplicá-la com nossos usuários e para o tratamento da esclerose múltipla nas diferentes associações do território espanhol.
Estudo para avaliar a eficácia de NeuronUP no tratamento da esclerose múltipla
Realizou-se também um estudo com NeuronUP que iniciou-se no final de 2014 e finalizou em meados de 2015. Seu título era: Estudo observacional para explorar a efetividade de um programa de reabilitação cognitiva com suporte informático em esclerose múltipla, de forma presencial ou a distância. E, que tinha como objetivo avaliar a eficácia de NeuronUP no tratamento da esclerose múltipla.
Os resultados foram apresentados em diferentes congressos, assim como na Sociedad Española de Neurología (SEN), em novembro de 2016 e no RIMS, em maio de 2017.
Dois grupos de estudo: presencial e a distância
Nesse estudo, o tratamento da esclerose múltipla realizava-se com a plataforma NeuronUP. Estabeleceram-se dois grupos, um presencial, e o outro a distância; telereabilitação. Ambos grupos eram comparáveis quanto às funções a trabalhar, os exercícios a realizar, o tempo de duração das sessões, a frequência destas, e os meses de tratamento. Assim como o acompanhamento efetuado, o feedback administrado, as avaliações prévias e posteriores, as primeiras sessões de explicação do projeto e manejo da aplicação, e a pertinente resolução de dúvidas ou possíveis dificuldades que iam surgindo.
Quanto ao acompanhamento e o feedback de todos os sujeitos que participavam no estudo, mesmo não tendo solicitado eles mesmos ajuda, a neuropsicóloga entrava em contacto com eles telefonicamente, para facilitar-lhes um feedback a modo de motivação e resolver possíveis dúvidas. A cada 10 dias, aproximadamente, enviava-se também um correio eletrônico.
As sessões de tratamento da esclerose múltipla duravam 30 minutos cada uma e tinham uma frequência semanal. Realizaram-se durante um periodo de 3 meses, por isso somaram um total de 12 sessões. Foram 46 pacientes, 24 no grupo presencial e 22 desde sua residência. A neuropsicóloga pautava o programa de forma individualizada.
Funções cognitivas que foram trabalhadas
As funções a trabalhar eram:
- Orientação,
- atenção (velocidade do processamento, atenção sustentada, seletiva, alternante e heminegligência),
- linguagem (compreensão, repetição, expressão, denominação, vocabulário, fluência, discriminação, leitura e escrita),
- memória (semântica, episódica e procedimental),
- praxias visoconstrutivas e gnosias (visuais e do esquema corporal),
- habilidades visoespaciais (relação espacial, visualização espacial),
- funções executivas (memória de trabalho, flexibilidade cognitiva, planejamento, raciocínio, tomada de decisões),
- atividades da vida diária instrumentais.
Propôs-se trabalhar também funções compensatórias, ou seja, não só as que estavam afetadas, mas compensar também com algumas que estavam mais preservadas.
Para poder extrair variáveis de efetividade em torno do tratamento da esclerose múltipla, e poder fazer uma comparativa, obtinha-se da aplicação o tempo que o sujeito estava conectado e a realização ou não da sessão.
Nos resultados, contávamos com os seguintes parâmetros: as fases completadas, o número de telas realizadas desagregadas em superadas e fracassadas, o tempo médio que havia empregado por tela, e o feedback do usuário.
Além disso, obtínhamos sua avaliação da execução, para assim poder comprovar se concordava com o desempenho objetivo, e poder verificar assim, se apresentava anosognosia. Ou seja, se não tinha consciência de suas limitações e inclusive, em caso de ser assim, tentar que tomassem consciência delas, mostrando-lhes os resultados reais e sua avaliação subjetiva.
Objetivos do estudo
Os objetivos do estudo eram avaliar a viabilidade do programa, tanto de forma presencial como a distância, assim como sua eficácia no tratamento da esclerose múltipla. Administrava-se, posteriormente, um questionário de satisfação do paciente e outro do profissional.
Resultados
Os resultados mostraram que não havia diferenças estatisticamente significativas entre as modalidades presenciais e a distância. Avaliavam as atividades como muito boas e os níveis de dificuldade ajustavam-se ao seu deterioro cognitivo.
Conclusões sobre a eficácia de NeuronUP no tratamento
NeuronUP permite ampliar a assistência a um maior número de usuários. Além disso, a ambos os grupos foi confortável seu uso. Os principais benefícios encontrados foram em torno da coordenação, concentração, motivação, estimulação e memória.
Por tudo isso, estamos satisfeitos com a ferramenta para o tratamento da esclerose múltipla. Utilizamos-na também em nossa residência, onde as pessoas têm um maior deterioro, tanto físico como cognitivo.







Reabilitação neuropsicológica do dano cerebral adquirido
Deixe um comentário