Com mais de 11 anos de experiência na Asociación de Familiares y Enfermos de Alzheimer de La Rioja, o terapeuta ocupacional Aitor Piñeiro Gago nos compartilha sua experiência aplicando a estimulação cognitiva em AFA Rioja com NeuronUP.
Sobre AFA Rioja
A Asociación de Familiares y Enfermos de Alzheimer de La Rioja (AFA Rioja) foi criada em 1993 com o propósito de oferecer um centro com um conjunto de serviços próprios, ao qual os familiares de pessoas com Alzheimer pudessem recorrer diante da ausência de recursos especializados no sistema sociossanitário. O objetivo é oferecer resposta às necessidades provenientes tanto dos familiares como das pessoas afetadas.
Ao longo desses anos, a AFA Rioja tem crescido, como comprovam os dados anuais relacionados com o número de profissionais contratados, as pessoas beneficiárias (aproximadamente 180) e seus familiares, assim como a diversificação e especialização dos diferentes programas incluídos em sua carteira de serviços.
O objetivo da AFA Rioja
Entre os objetivos estabelecidos pela Associação, pretende-se alcançar e manter o máximo nível de qualidade de vida (CV) no binômio pessoa com Alzheimer e cuidador (na maioria dos casos, tal como a literatura descreve, cônjuge). Tudo isso, desde uma perspectiva integral, individualizada, cooperativa, responsável e ética, de acordo com os valores da Associação e com nosso posicionamento em relação à sociedade, famílias e pessoas.
A visão da AFA Rioja
A visão desempenha um papel muito importante no estabelecimento dos métodos de trabalho, ações e propostas a desenvolver.
Atendendo às publicações existentes, podemos partir de uma abordagem de:
- De baixo para cima (bottom-up), onde o foco do trabalho está nas capacidades afetadas pela doença;
- De cima para baixo (top-down), onde ganham relevância as atividades significativas e os papéis de vida das pessoas;
- Ambiente primeiro, onde os fatores contextuais são priorizados em relação aos pessoais.
Traduzir essas visões, muitas vezes vinculadas a preferências profissionais, planejamento centrado no serviço, ideias pré-estabelecidas anos atrás e crenças pessoais não fundamentadas no conhecimento atual, constitui um desafio para poder coexistir no mesmo ambiente de trabalho.
A equipe da AFA Rioja
A equipe profissional interdisciplinar da AFA Rioja conta atualmente com:
- 3 assistentes sociais,
- 3 psicólogos,
- 8 terapeutas ocupacionais,
- 1 músico terapeuta,
- 4 auxiliares.
Organizados em dois centros físicos localizados na cidade de Logroño, locais onde se desenvolvem as intervenções psicossociais ou terapias não farmacológicas (TNFs) e onde comparecem pessoas residentes na capital riojana e em outros municípios próximos.
As TNFs na AFA Rioja
As primeiras experiências de TNFs em pessoas com Alzheimer, das quais há registro, datam das décadas de 1950-1960, embora o conhecimento gerado e adquirido nas últimas décadas tenha crescido exponencialmente. Estudos, experiências, pesquisas e instituições corroboram a eficácia e os resultados implícitos em uma variedade de áreas mediante sua aplicação, inclusive em níveis semelhantes às terapias farmacológicas.
Os benefícios das TNFs
Por isso, as TNFs são consideradas tão importantes quanto o tratamento farmacológico, onde ambos, prescritos de forma coordenada e adequada, podem multiplicar os benefícios obtidos para cada pessoa em aspectos como:
- a CV,
- ‘o desempenho autônomo e independente nas atividades da vida diária (AVD),
- componentes volicionais,
- estado emocional,
- promoção e manutenção de condutas funcionais e saudáveis.
- atrasar o declínio associado à doença,
- reduzir a dependência de fármacos, de terceiros e de serviços,
- reduzir o custo econômico do tratamento,
- adiar o momento de institucionalização em centros residenciais.
Os resultados das TNFs
Os resultados relatados da implementação das TNFs aumentam ano após ano de acordo com as numerosas experiências e o crescente interesse sobre o tema. Ainda assim, é igualmente necessário dispor do suporte da investigação para determinar os resultados, o nível de efetividade e as possibilidades de reaplicabilidade para poder alcançar graus de recomendação.
As pessoas que frequentam o centro
Na Associação procuram-se pessoas que, apesar de terem o mesmo diagnóstico médico, apresentam características heterogêneas, quanto ao nível de:
- Atividade prévia,
- organização e satisfação com as rotinas,
- identificação de metas,
- nível de desempenho em AVD,
- nível de função / disfunção em capacidades individuais (sensoriais, cognitivas, físicas, comunicativas e interativas);
- variedade em grupos e apoios sociais,
- manutenção ou perda de papéis significativos,
- bem-estar emocional,
- presença de outras patologias.
Na prática, isso representa um conjunto de necessidades a serem cobertas pelas diferentes TNFs atendendo à natureza das mesmas. Tanto aquelas de caráter normativo estabelecidas pelos profissionais, os quais indicam que resultados se esperam e quais serviços são necessários para alcançá-los, quanto as necessidades percebidas ou experimentadas, sendo estas baseadas na perceção de cada pessoa ou grupo sobre uma determinada carência, fundamentando-se em uma apreciação subjetiva (Bradshaw, 1972).
Desarollo de las oportunidades
Criar e desenvolver oportunidades que cubram o maior número possível de necessidades resultantes, assim como garantir o controlo de variáveis e medir o efeito das mesmas em um conjunto de fatores individuais, torna-se responsabilidade profissional e organizativa.
Essas oportunidades devem ser dadas de forma coordenada, individualizada, desde uma perspectiva holística; devem ser dinâmicas, flexíveis e com objetivos passíveis de revisão ao longo do tempo, sendo estas algumas das características que esse tipo de intervenções deve cumprir.
Por isso, as propostas são tão variadas quanto as histórias de vida; interesses, preferências, inquietações e metas vão sendo identificados na análise populacional e individual que deve ser realizada periodicamente.
Intervenções como a mágica, a cozinha, os animais, a arte e a cultura, o desporto, a música, os livros, projetos de vida e significado ocupacional, são apenas algumas das intervenções que complementam os programas de estimulação de capacidades individuais.
Intervenções que se desenvolvem tendo em conta os ambientes (profissionalizado, comunitário, interior, ao ar livre…); o número de pessoas (individual, em pares, grupos reduzidos de 3 a 5 pessoas, e grupos de até 9 pessoas); sua natureza (autocuidado, papéis de vida, ou lazer e tempo livre); resultados esperados (segundo benefício percebido, desfrute e prazer); e metodologia de desenvolvimento (autogeridas, interativas, com apoio profissional).
O objetivo
O objetivo prioritário é alcançar e manter o maior nível de qualidade de vida possível de acordo com as características individuais e fatores contextuais. Por isso, o compromisso e atribuição de um plano individualizado de vida e apoios por parte das pessoas e dos profissionais parte de um processo de avaliação inicial que dura vários meses. Torna-se quase impercetível o momento em que termina para começar outro novo, sendo este cíclico, contínuo e sujeito às alterações oportunas para melhorar a experiência, satisfação e bem-estar da pessoa.
Recolhendo, vertendo e interpretando a informação obtida das diferentes fontes disponíveis através de sistemas quantitativos e qualitativos, desde uma perspectiva multidisciplinar, consegue-se plasmar no processo terapêutico individualizado adequado a cada pessoa e a cada momento.
A estimulação cognitiva
Historicamente, a intervenção cognitiva foi postulada como um dos tratamentos não farmacológicos mais difundidos e aceitos na atenção à pessoa com Alzheimer.
Existem múltiplos estudos (pode-se dizer que as intervenções cognitivas são o conjunto de TNFs que desfrutam do maior número de publicações e evidência) que corroboram os benefícios de sua aplicação, variando o nível e a magnitude dos mesmos dependendo da metodologia utilizada e do momento clínico da doença, assim como outros fatores individuais associados (motivação, reserva cognitiva, limitação sensorial, nível e tipo de atividade prévio, por exemplo).
As mudanças na estimulação cognitiva
Considerando que a maior recomendação obtêm as intervenções cognitivas multicomponente, a variedade de sua aplicação tornou-se um exercício de criatividade e inovação sujeito às demandas emergentes, novos interesses e inquietações implícitas na população beneficiária.
E é que, de acordo com a visão, princípios e fundamentos que orientam a prática profissional e determinam o tipo de intervenções a desenvolver, o espectro de probabilidades metodológicas e de formato no desenho de sessões de caráter eminentemente cognitivo ampliou-se.
Deixando para trás o uso exclusivo do archiconhecido “papel e lápis” do qual tanto conteúdo foi gerado nas últimas décadas, para basear as intervenções cognitivas nas preferências e fortalezas das pessoas, desde uma perspectiva ocupacional que dá sentido a novas metodologias e formatos de trabalho nas sessões. Qualquer ocupação tem implícitas uma série de capacidades cognitivas (entre outras) para seu desempenho de forma eficaz e funcional, pelo que a estimulação de uma (ou várias) capacidades cognitivas de forma direta permite ir além e vinculá-la à emoção e ao sentido que cada pessoa atribui à ocupação significativa.
A estimulação cognitiva na AFA Rioja
No centro, priorizam-se as preferências das pessoas por tipologias concretas de intervenção, atendendo às suas capacidades individuais, não apenas no âmbito cognitivo, mas também desde uma perspectiva social, adaptando as características das sessões e os conteúdos a desenvolver de acordo com os objetivos estabelecidos.

A estimulação cognitiva na AFA Rioja com NeuronUP
Há 8 anos, NeuronUP tornou-se uma ferramenta de trabalho fundamental para o desenho de intervenções cognitivas na Associação, que combinada com outros conteúdos permite obter sessões variadas, inovadoras e de crescente interesse para a população participante.
As vantagens de realizar a estimulação cognitiva com NeuronUP

Neste período, são várias as vantagens que os profissionais do centro identificaram em relação à plataforma NeuronUP e que, devidamente geridas, repercutem diretamente na consecução dos objetivos terapêuticos individuais.
Da nossa experiência, e sem desvalorizar o restante das opções existentes, mencionamos aquelas que consideramos mais relevantes (e que utilizamos com maior frequência) em nosso trabalho de desenho e implementação de sessões:
- Quantidade e variedade de conteúdo de acordo com as capacidades e áreas de ocupação. Sem esquecer a quantidade de recursos extras disponíveis muito úteis para elaborar sessões ou exercícios próprios em intervenções com outro formato de trabalho;
- filtros disponíveis: idade e tipo de exercícios. Sendo importante a apresentação dos mesmos de acordo com a população destinatária, fazendo um formato atraente e o mais representativo possível da vida cotidiana. Da mesma forma, permite à pessoa ter acesso e aproximação ao mundo das novas tecnologias a partir de uma variante lúdica e amena que repercute diretamente no estado de saúde;
- ajuste de parâmetros dos exercícios. Permitindo adequar o nível de dificuldade entre uma ampla gama, assim como a duração dos mesmos em tempo e número de repetições;
- planejamento prévio das sessões, evita sair dos exercícios, a busca de outros novos e seu início. Com o prejuízo implícito que isso acarretaria na fluidez e continuidade das mesmas. É muito positivo a possibilidade de edição das sessões de acordo com os resultados obtidos para otimizar benefícios e facilitar o trabalho de preparação dos terapeutas;
- a proposta basal dos exercícios e das sessões permite ao terapeuta ajustá-la às características da pessoa e do grupo, introduzindo elementos dinamizadores e de gestão derivados, que permitam sua máxima individualização. Por exemplo, segundo os níveis de participação das pessoas do grupo: mais enérgicas, mais passivas…, ou com dificuldades de inibição em exercícios de respostas por turnos. Alcançando assim o maior grau de equilíbrio e benefício entre todos os participantes.
Conclusão
- Aplicar uma TNF não deve se tornar um tema fútil dentro das rotinas organizacionais que prestam serviços com impacto na saúde global das pessoas.
- Adequar essas terapias às necessidades individuais deve ser a ordem lógica do processo, e não esperar que a pessoa se adapte aos recursos existentes. E se não se dispuser delas, criá-las.
- Os profissionais devemos ser coerentes entre o que se faz e se diz a respeito dos novos paradigmas e enfoques de atenção e dos serviços disponíveis nos centros. Levando em conta (e compartilhando) princípios éticos centrados nas pessoas que guiem as ações a desenvolver, refletindo essa visão e filosofia no tipo de programas e processos de avaliação, desenho e implementação dos mesmos.
- NeuronUP permite ampliar o leque de ferramentas de trabalho disponíveis ao serviço das pessoas destinatárias, complementando as já existentes, para garantir esses princípios.







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