TESTE
Torre de Hanói (TdH)
Planejamento, memória de trabalho e aprendizagem procedural
Versão digital do clássico problema de resolução de problemas por meio de subobjetivos. Com quatro subtestes (3 e 4 discos, duas tentativas cada um), permite separar o planejamento inicial da aprendizagem procedural, uma dissociação crítica para perfis disexecutivos.
O QUE É O TESTE
O paradigma clássico para avaliar o pensamento estratégico
Apesar de ter mais de um século de história, a Torre de Hanói continua sendo um dos testes neuropsicológicos mais utilizados para avaliar planejamento, memória de trabalho e resolução de problemas por subobjetivos. Exige manter uma regra ativa (não colocar discos grandes sobre pequenos), antecipar consequências e sequenciar movimentos em direção a um objetivo.
A aplicação digital introduz um avanço fundamental: repetir cada configuração duas vezes. Isso permite calcular um índice de aprendizagem procedural que distingue, por exemplo, um planejamento ruim com preservação da aprendizagem (típico de TCE moderado) de um déficit que se mantém mesmo após a prática (mais característico de esquizofrenia ou demências). Sensível à disfunção frontal, gânglios da base e cerebelo.
COMO É APLICADO
Transferir os discos respeitando a regra do tamanho
Três hastes verticais e um conjunto de discos de tamanhos decrescentes em uma posição inicial. O usuário deve transferir todos os discos para a haste-alvo, conservando a pirâmide (grande embaixo, pequeno em cima). Regra única: nunca um disco grande sobre um menor.
A aplicação é composta por até 4 subtestes: TdH 3 peças, TdH 4 peças, TdH 3 peças (repetição) e TdH 4 peças (repetição). O profissional decide quais aplicar; a comparação entre a primeira e a segunda tentativa é o que fornece o índice de aprendizagem procedural. A interação é por toque: tocar no disco a mover e, depois, na haste de destino.
O QUE O TESTE MEDE
Indicadores e sua interpretação
Cada subteste fornece tempo, número de movimentos e erros. A verdadeira potência clínica está na comparação entre tentativas para estimar a aprendizagem procedural.
Número de movimentos
Total de movimentos realizados, contrastado com o mínimo ideal (7 para 3 discos, 15 para 4 discos). Medida direta da eficácia do planejamento.
Próximo do ideal: planejamento eficaz.
Muito acima: tentativa e erro, déficit executivo, retrocessos por falha de memória de trabalho.
Tempo total
Segundos desde o primeiro movimento até a resolução. Integra velocidade de planejamento, processamento e execução.
Tempo alto + muitos movimentos: ineficiência executiva.
Tempo alto + ideal: reflexividade cuidadosa, aceitável.
Tempo médio entre movimentos
Latência cognitiva contínua: quanto pensa entre jogadas. Permite distinguir reflexividade de impulsividade ou indecisão.
Alto: planejamento deliberado ou hesitação.
Baixo + erros: impulsividade.
Baixo + ideal: plano internalizado.
Erros de tamanho
Tentativas de colocar um disco maior sobre um menor. Refletem falha de controle inibitório, manutenção da regra ou supervisão.
0–1: regra respeitada.
Muitos erros: déficit executivo, especialmente se reincide após feedback.
Aprendizagem procedural (3p)
Diferença de movimentos entre a primeira e a segunda tentativa com 3 discos. Métrica exclusiva desta versão digital.
Δ positiva grande: aprendizagem robusta (típica de TCE leve, EM leve).
Δ próxima de 0: não extrai estratégia da primeira tentativa.
Aprendizagem procedural (4p)
Diferença equivalente com 4 discos. Mais sensível ao comprometimento, já que a maior complexidade torna evidente a dissociação planejamento / aprendizagem.
Melhora marcada: aprendizagem procedural preservada.
Δ negativa: piora (fadiga, frustração ou comprometimento grave).
REFERÊNCIAS
Bibliografia
- Goldberg, T. E., Saint-Cyr, J. A., & Weinberger, D. R. (1990). Assessment of procedural learning and problem solving in schizophrenic patients by Tower of Hanoi type tasks. Journal of Neuropsychiatry and Clinical Neurosciences, 2(2), 165–173.
- Welsh, M. C., Satterlee-Cartmell, T., & Stine, M. (1999). Towers of Hanoi and London: Contribution of working memory and inhibition to performance. Brain and Cognition, 41(2), 231–242.
- Knapp, F., & Morton, J. B. (2017). Examining the relations between performance on the Tower of Hanoi and executive functions. Journal of the International Neuropsychological Society.
- Bull, R., Espy, K. A., & Senn, T. E. (2004). A comparison of performance on the Towers of London and Hanoi. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 45(4), 743–754.
- Strauss, E., Sherman, E. M. S., & Spreen, O. (2006). A compendium of neuropsychological tests (3rd ed.). Oxford University Press.
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