TESTE
Teste dos Balões (BART)
Tomada de decisões sob risco em condições de incerteza
Balloon Analog Risk Task (Lejuez et al., 2002): um paradigma lúdico para medir funções executivas “quentes”. Quantifica a propensão ao risco, a sensibilidade à punição e a aprendizagem de probabilidades implícitas com validade ecológica comprovada em relação ao consumo de substâncias, jogo patológico e comportamentos de risco.
O QUE É O TESTE
Inflar para ganhar mais, mas sem deixar estourar
Desenvolvido por Lejuez et al. (2002), o BART é um dos paradigmas comportamentais mais utilizados para medir a propensão ao risco. Sua validade ecológica foi demonstrada correlacionando os resultados com comportamentos reais como consumo de substâncias, jogo patológico ou direção perigosa.
Cada decisão ativa um dilema básico: inflar mais para ganhar mais, assumindo o risco de perder tudo, ou receber e consolidar. Como as probabilidades de explosão não são reveladas, o usuário deve aprendê-las implicitamente ao longo da tarefa. Avalia funções executivas “quentes” —nas quais recompensa, motivação e emoção modulam a decisão— e é sensível ao controle inibitório, à sensibilidade à punição e à aversão/busca de risco.
COMO É APLICADO
60 balões, três cores, riscos distintos
Em cada ensaio, o usuário vê um balão e dois botões: inflar (cada inflada aumenta o ganho pendente, mas também a probabilidade de explosão) ou receber (consolida o ganho e passa para o seguinte). Se o balão estourar, perde todo o ganho pendente.
O teste apresenta 60 balões em três cores com probabilidades distintas (não reveladas): amarelos estouram em média aos 64 inflados (baixo risco), verdes aos 16, azuis aos 4 (alto risco). Os primeiros 30 são pseudoaleatórios; os 30 seguintes vêm em blocos de uma única cor, o que permite analisar a aprendizagem implícita da probabilidade associada a cada cor.
O QUE O TESTE MEDE
Indicadores e sua interpretação
A combinação de métricas permite diferenciar entre perfis impulsivos (muitas explosões, alto ganho ou perda) e perfis hipercautelosos (poucas explosões, baixo ganho).
Infladas ajustadas (amarelos)
Média de infladas em balões amarelos não estourados. A métrica clássica do BART: quanto mais infla em condições seguras, maior sua disposição ao risco.
Alta: busca de sensações, impulsividade.
Baixa: aversão ao risco, possível apatia ou insegurança.
Infladas em balões azuis
Média de infladas em balões de alto risco (estouram em média aos 4). Indicador agudo de tomada de risco extremo e aprendizagem implícita.
> 4: insensibilidade à punição, falta de aprendizagem.
1-2: reconhecimento adequado do risco elevado.
Número de explosões
Total de balões perdidos por não receber a tempo. Indicador direto de comportamento de risco mal-adaptativo.
Muitas explosões: impulsividade, falha inibitória, viés para recompensa imediata.
Poucas explosões + baixo ganho: hipercautela.
Ganho total
Quantidade acumulada ao final. Medida global de eficácia: um bom ganho exige equilíbrio entre assumir riscos suficientes e saber parar a tempo.
Ganho alto: tomada de decisões adaptativa.
Baixo: excesso de cautela ou de temeridade (interpretar com explosões).
Tempo de reação
Tempo médio para inflar ou receber. Reflete o estilo deliberativo vs. automático do usuário.
TR curto: resposta automática, possível impulsividade.
TR longo: deliberação cautelosa, lentificação ou hesitação ansiosa.
Aprendizagem por cor
Diferença de infladas entre a primeira e a segunda metade para cada cor. Mede se o usuário ajusta seu comportamento após experimentar o risco.
Ajuste apropriado: aprende a inflar mais os amarelos e frear antes nos azuis.
Sem ajuste: falta de aprendizagem de probabilidades implícitas.
REFERÊNCIAS
Bibliografia
- Lejuez, C. W., Read, J. P., Kahler, C. W., Richards, J. B., Ramsey, S. E., Stuart, G. L., Strong, D. R., & Brown, R. A. (2002). Evaluation of a behavioral measure of risk-taking: The Balloon Analogue Risk Task (BART). Journal of Experimental Psychology: Applied, 8(2), 75–84.
- Lejuez, C. W., Aklin, W. M., Zvolensky, M. J., & Pedulla, C. M. (2003). Evaluation of the BART in young adolescent smokers. Journal of Adolescence, 26(4), 475–479.
- Compagne, C., Mayer, J. T., Gabriel, D., Comte, A., Magnin, E., Bennabi, D., & Tannou, T. (2023). Updates on the BART: A systematic review. Frontiers in Psychology, 14, 1138788.
- Canning, J. R., Schallert, M. R., & Larimer, M. E. (2022). A systematic review of the BART. Cognitive Therapy and Research, 46, 1085–1107.
- Weafer, J., Milich, R., & Fillmore, M. T. (2011). Behavioral components of impulsivity predict alcohol consumption in adults with ADHD. Drug and Alcohol Dependence, 113(2-3), 139–146.
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